JurisprudênciaIA

Entrar com chip de celular em presídio configura o crime do art. 349-A do Código Penal?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não, segundo o STJ. O art. 349-A do Código Penal pune o ingresso ou o auxílio à entrada de aparelho telefônico móvel, rádio ou similar em presídio, mas não menciona componentes ou acessórios como o chip. Pelo princípio da legalidade, sem lei prévia que tipifique a conduta, impõe-se a absolvição quanto a esse delito.

O limite do tipo penal

O art. 349-A do Código Penal descreve as condutas de ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar em estabelecimento prisional. O legislador se limitou ao aparelho em si e não fez referência a componentes ou acessórios que viabilizam seu funcionamento.

O chip de celular, isoladamente, não é aparelho telefônico nem equipamento similar. Por isso, o STJ entendeu que a conduta de entrar com chip em presídio não se encaixa no tipo penal, e a analogia para punir é vedada no direito penal.

O papel do princípio da legalidade

A conclusão decorre diretamente da regra nullum crimen sine lege: não há crime sem lei anterior que o defina. Enquanto não houver alteração legislativa incluindo chips e acessórios, a conduta permanece atípica em relação ao art. 349-A.

Vale registrar que o julgado indica que a matéria foi apreciada na Corte Especial com julgamento não concluído naquele informativo, e que a atipicidade penal não afasta eventuais sanções disciplinares ou administrativas aplicáveis conforme o caso concreto.

O que dizem os tribunais

Informativo 693 do STJ

Ingresso em estabelecimento prisional. Porte de chip de celular. Art. 349-A do Código Penal. Não subsunção. A conduta de ingressar em estabelecimento prisional com chip de celular não se subsome ao tipo penal previsto no art. 349-A do Código Penal. O art. 349-A do Código Penal prevê o seguinte tipo penal: Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. Como se verifica, o legislador se limitou em punir - basicamente - o ingresso ou o auxílio na introdução de aparelho telefônico móvel ou similar em estabelecimento prisional, não fazendo referência a qualquer…”Ler na íntegra

Ingresso em estabelecimento prisional. Porte de chip de celular. Art. 349-A do Código Penal. Não subsunção. A conduta de ingressar em estabelecimento prisional com chip de celular não se subsome ao tipo penal previsto no art. 349-A do Código Penal. O art. 349-A do Código Penal prevê o seguinte tipo penal: Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. Como se verifica, o legislador se limitou em punir - basicamente - o ingresso ou o auxílio na introdução de aparelho telefônico móvel ou similar em estabelecimento prisional, não fazendo referência a qualquer outro componente ou acessório utilizado para viabilizar o funcionamento desses equipamentos. Portanto, em decorrência da principiologia básica do direito penal (legalidade), na falta de lei prévia que defina o ingresso de chip em estabelecimento prisional como comportamento típico (n ullum crimen sine lege ), impõe-se a absolvição pelo delito previsto no art. 349-A do Código Penal.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

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