JurisprudênciaIA

Simular estar armado configura a grave ameaça exigida pelo crime de estupro?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Segundo o STJ, a simulação de arma de fogo, desde que comprovada pelas instâncias ordinárias, pode configurar a grave ameaça exigida pelo art. 213 do Código Penal, pois o que importa é o temor efetivamente provocado na vítima subjugada. Nesse cenário, não cabe desclassificar o estupro para importunação sexual.

Por que a simulação basta para a grave ameaça

A grave ameaça é forma de violência moral: intimidação capaz de dobrar a resistência da vítima. Para o STJ, o sentimento de terror provocado em quem acredita estar diante de uma arma de fogo é o mesmo, exista ou não a arma verdadeira. Por isso, a simulação comprovada preenche a elementar do tipo de estupro.

No caso analisado, o tribunal local havia desclassificado o estupro para importunação sexual, por entender que a simulação seria mera violência imprópria. O STJ afastou esse raciocínio e determinou que o réu fosse processado por estupro.

Limites e prova

O próprio julgado condiciona a conclusão à comprovação do fato: a simulação da arma precisa estar demonstrada e confirmada pelas instâncias ordinárias, que são soberanas na análise da prova. Sem essa base fática, a discussão não se sustenta.

Na prática, a distinção entre estupro e importunação sexual passa justamente pela presença de violência ou grave ameaça, e os tribunais examinam caso a caso o contexto intimidatório vivido pela vítima.

O que dizem os tribunais

Informativo 711 do STJ

Estupro. Desclassificação. Importunação sexual. Grave ameaça através de simulação de arma de fogo. Configuração. A simulação de arma de fogo pode sim configurar a "grave ameaça", para os fins do tipo do art. 213 do Código Penal. A controvérsia está relacionada à elementar do tipo de estupro, qual seja, a possibilidade de configuração de grave ameaça através de simulação de arma de fogo, caracterizando, assim, violência moral. No caso dos autos, o Tribunal de origem desclassificou o crime de estupro para o de importunação sexual, por entender que não houve emprego de violência ou de grave ameaça à pessoa, mas sim violência imprópria, mediante simulação de porte de arma de fogo. Entretanto, a …”Ler na íntegra

Estupro. Desclassificação. Importunação sexual. Grave ameaça através de simulação de arma de fogo. Configuração. A simulação de arma de fogo pode sim configurar a "grave ameaça", para os fins do tipo do art. 213 do Código Penal. A controvérsia está relacionada à elementar do tipo de estupro, qual seja, a possibilidade de configuração de grave ameaça através de simulação de arma de fogo, caracterizando, assim, violência moral. No caso dos autos, o Tribunal de origem desclassificou o crime de estupro para o de importunação sexual, por entender que não houve emprego de violência ou de grave ameaça à pessoa, mas sim violência imprópria, mediante simulação de porte de arma de fogo. Entretanto, a jurisprudência desta Corte Superior tem-se firmado no sentido de que a simulação de arma de fogo, desde que seja fato comprovado e confirmado pelas instâncias ordinárias, pode sim configurar a "grave ameaça", pois esse é de fato o sentimento unilateral provocado no espírito da vítima subjugada. Com efeito, o reconhecimento de simulação de arma de fogo configura grave ameaça, devendo o réu ser processado pelo crime de estupro.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 02/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental. Agravo em recurso especial. Ausência de impugnação específica. Súmulas 182/STJ e 7/STJ. Simulação de arma como grave ameaça. Desclassificação para furto inviável. AGRAVO IMprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do Código de Processo Civil e na Súmula 182/STJ.2. A agravante sustenta prerrogativas da Defensoria…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 06/05/2026

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EM HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. PROTEÇÃO DA VÍTIMA VULNERÁVEL. SIMULAÇÃO DE USO DE ARMA DE FOGO. CONDUTA INTIMIDATÓRIA. REITERAÇÃO DO DESCUMPRIMENTO. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS. INSUFICIÊNCIA. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NOVOS.Agravo regimental improvido.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 29/04/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO. REVISÃO CRIMINAL. DESCLASSIFICAÇÃO PARA IMPORTUNAÇÃO SEXUAL. ELEMENTARES DE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. ORDEM MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público estadual contra decisão monocrática, em habeas corpus, que concedeu ordem de ofício em favor de paciente condenado por estupro qualificado (art. 213, § 1º, c/c art. 226, II, do Código Penal…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 29/04/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO. REVISÃO CRIMINAL. DESCLASSIFICAÇÃO PARA IMPORTUNAÇÃO SEXUAL. ELEMENTARES DE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. ORDEM MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público estadual contra decisão monocrática, em habeas corpus, que concedeu ordem de ofício em favor de paciente condenado por estupro qualificado (art. 213, § 1º, c/c art. 226, II, do Código Pen…

Acórdão

j. 15/04/2026

DIREITO PENAL. DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO QUALIFICADO. GRAVE AMEAÇA. REVALORAÇÃO JURÍDICA DA MOLDURA FÁTICA. DESCLASSIFICAÇÃO PARA IMPORTUNAÇÃO SEXUAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.1. A revaloração jurídica de fatos incontroversos delineados no acórdão recorrido não encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ, que veda apenas o reexame do acervo fático-probatório.2. No caso, a moldura fática firmada nas instâncias ordinária…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Og Fernandes · j. 07/04/2026

ECA E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ATOS INFRACIONAIS ANÁLOGOS À AMEAÇA E A PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE IN TERNAÇÃO. GRAVE AMEAÇA CONFIGURADA. EMPREGO DE ARMA DE FOGO. CONTEXTO DE DISPUTA ENTRE FACÇÕES RIVAIS. ADEQUAÇÃO DA MEDIDA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A medida socioeducativa de internação somente se justifica quando presente ao menos uma das hipóteses previstas nos incisos do art. 122 do ECA, situação devidamente v…

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