JurisprudênciaIA

Formar família com a vítima afasta a punição pelo crime de estupro de vulnerável?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo o STJ, com base na Súmula 593 do STJ, a constituição de família não exclui, por si só, a punibilidade do crime de estupro de vulnerável. A violência é presumida de forma absoluta quando a vítima é menor de 14 anos, sendo irrelevantes o consentimento, a experiência sexual anterior ou o relacionamento amoroso com o réu.

A presunção absoluta de violência

A Súmula 593 do STJ consolidou que, na conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos, a violência é presumida de modo absoluto. Isso significa que não importa se a vítima consentiu, se já tinha experiência sexual ou se mantinha namoro com o acusado: o crime do estupro de vulnerável se configura mesmo assim.

O julgado que reafirmou esse entendimento envolvia vítima de 13 anos e réu de 20 anos à época dos fatos. O STJ rejeitou a tese de que a formação de uma família entre eles afastaria a punição.

Gravidez e filho não diminuem a responsabilidade

A decisão destacou que a gravidez da vítima e o nascimento de uma criança dessa relação não reduzem a responsabilidade penal. Ao contrário, por força de lei, a gravidez decorrente do crime atrai causa de aumento de pena prevista no art. 234-A, III, do Código Penal.

No caso concreto, o STJ ainda observou que o réu sequer havia registrado a criança e que o relacionamento com a vítima não subsistia, o que reforçou a conclusão de que a alegada constituição de família não excluía a punibilidade.

O que isso significa na prática

A defesa fundada em relacionamento amoroso, casamento ou filhos em comum não afasta, por si só, a condenação por estupro de vulnerável. Os tribunais examinam as circunstâncias de cada caso, mas a orientação consolidada é de que a proteção do menor de 14 anos prevalece sobre esses argumentos.

O que dizem os tribunais

Informativo 803 do STJ

Estupro de vulnerável. Relativização da presunção de violência. Impossibilidade. Súmula n. 593 do STJ. A constituição de família não exclui, per se , a punibilidade do crime de estupro de vulnerável. Para a caracterização do delito de estupro de vulnerável é irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o réu, haja vista a presunção absoluta da violência em casos da prática de conjunção carnal ou ato libidinoso diverso com pessoa menor de 14 anos, conforme a Súmula n. 593 do STJ. Na espécie, a ofendida, à época com 13 anos de idade, foi submetida à prática de conjunção carnal. O réu, naquele tem…”Ler na íntegra

Estupro de vulnerável. Relativização da presunção de violência. Impossibilidade. Súmula n. 593 do STJ. A constituição de família não exclui, per se , a punibilidade do crime de estupro de vulnerável. Para a caracterização do delito de estupro de vulnerável é irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o réu, haja vista a presunção absoluta da violência em casos da prática de conjunção carnal ou ato libidinoso diverso com pessoa menor de 14 anos, conforme a Súmula n. 593 do STJ. Na espécie, a ofendida, à época com 13 anos de idade, foi submetida à prática de conjunção carnal. O réu, naquele tempo, contava 20 anos de idade. A gravidez da vítima, em decorrência do conúbio sexual e o nascimento de uma criança dessa relação não diminuem a responsabilidade penal; ao contrário, por força de lei, incrementa a reprovabilidade da ação, atraindo mesmo uma causa de aumento de pena (art. 234-A, III, do CP). A constituição de família não exclui, per se, a punibilidade da conduta, pois, no caso, além de o réu não haver registrado a criança, o seu relacionamento com a vítima não subsiste. Informativo de Jurisprudência n. 787

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