JurisprudênciaIA

Ameaçar a vítima de violência doméstica na frente do filho menor aumenta a pena?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, pode aumentar. O STJ decidiu que ameaçar a vítima de violência doméstica na presença do filho menor de idade justifica a valoração negativa da culpabilidade na dosimetria, elevando a pena-base. A circunstância revela maior reprovabilidade da conduta e é considerada fundamento idôneo para a exasperação com base no art. 59 do Código Penal.

Como a presença do filho pesa na dosimetria

Na fixação da pena, o juiz avalia as circunstâncias do art. 59 do Código Penal, entre elas a culpabilidade, entendida como o grau de reprovação da conduta do agente, e não como os elementos que definem a existência do crime. Quanto mais censurável o comportamento, maior pode ser a pena-base.

No caso analisado, o tribunal de origem aumentou a pena-base porque as ameaças foram proferidas quando a vítima estava com seu filho menor de idade. O STJ considerou esse argumento válido: praticar o crime diante da criança revela maior desvalor e censura da conduta, sendo fundamento idôneo para a análise negativa da culpabilidade.

Limites do controle pelos tribunais superiores

A individualização da pena é atividade vinculada aos parâmetros legais, mas o julgador tem margem de discricionariedade motivada na escolha da sanção adequada ao caso concreto. Às cortes superiores cabe apenas o controle de legalidade e constitucionalidade da dosimetria, sem reexame amplo dos fatos.

Na prática, isso significa que a exasperação da pena por circunstâncias como a presença de filho menor tende a ser mantida quando a decisão apresenta fundamentação concreta, como ocorreu no precedente. Os tribunais examinam caso a caso a idoneidade da motivação apresentada pelo juiz.

O que dizem os tribunais

Informativo 731 do STJ

“Violência doméstica. Crime praticado na presença de filho menor de idade. Ameaça. Dosimetria. Valoração negativa da culpabilidade. Cabimento. Ameaçar a vítima na presença de seu filho menor de idade justifica a valoração negativa da culpabilidade do agente. A respeito da dosimetria da pena, vale anotar que sua individualização é uma atividade vinculada a parâmetros abstratamente cominados na lei, sendo, contudo, permitido ao julgador atuar discricionariamente na escolha da sanção penal aplicável ao caso concreto, após o exame percuciente dos elementos do delito, e em decisão motivada. Dessarte, às Cortes Superiores é possível, apenas, o controle da legalidade e da constitucionalidade na dosi…”Ler na íntegra

“Violência doméstica. Crime praticado na presença de filho menor de idade. Ameaça. Dosimetria. Valoração negativa da culpabilidade. Cabimento. Ameaçar a vítima na presença de seu filho menor de idade justifica a valoração negativa da culpabilidade do agente. A respeito da dosimetria da pena, vale anotar que sua individualização é uma atividade vinculada a parâmetros abstratamente cominados na lei, sendo, contudo, permitido ao julgador atuar discricionariamente na escolha da sanção penal aplicável ao caso concreto, após o exame percuciente dos elementos do delito, e em decisão motivada. Dessarte, às Cortes Superiores é possível, apenas, o controle da legalidade e da constitucionalidade na dosimetria. No caso, percebe-se que a pena-base do recorrente foi exasperada em razão do maior desvalor da vetorial culpabilidade. A culpabilidade, para fins do art. 59 do Código Penal, deve ser compreendida como juízo de reprovabilidade da conduta, apontando maior ou menor censura do comportamento do réu. Não se trata de verificação da ocorrência dos elementos da culpabilidade, para que se possa concluir pela prática ou não de delito, mas, sim, do grau de reprovação penal da conduta do agente, mediante demonstração de elementos concretos do delito. No caso, depreende-se que o Tribunal de origem apresenta argumento válido, no sentido de que as ameaças foram lançadas quando a vítima se encontrava com seu filho menor de idade, o que revela maior desvalor e censura na conduta do acusado, tratando-se de fundamento idôneo para análise negativa da culpabilidade.”

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