JurisprudênciaIA

O crime de milícia privada exige a identificação nominal de todos os integrantes do grupo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Para o STJ, a configuração do crime de constituição de milícia privada (art. 288-A do Código Penal) não exige a identificação nominal de todos os integrantes do grupo. Basta a comprovação de vínculo associativo estável e permanente entre três ou mais pessoas, que pode ser deduzido da própria narrativa fática das instâncias ordinárias.

O que precisa ser demonstrado

O crime do art. 288-A do Código Penal exige vínculo estável e permanente entre os integrantes da milícia. O STJ esclareceu que essas elementares podem ser extraídas das circunstâncias objetivas da atuação do grupo, sem necessidade de que o acórdão use literalmente as palavras estabilidade e permanência.

No caso julgado, a condenação descreveu que o réu chefiava milícia atuante em determinada região, cobrava taxa de segurança de comerciantes mediante ameaça, coordenava ações por rádio comunicador, portava armas de fogo (inclusive com numeração suprimida) e mantinha anotações de cobranças. Esse conjunto evidenciou atuação organizada e contínua voltada à prática de, ao menos, crimes de extorsão.

Por que a identificação de todos é dispensável

Nos delitos associativos, o entendimento consolidado nos Tribunais Superiores é o de que basta a comprovação do vínculo entre três ou mais pessoas, ainda que nem todos os integrantes sejam nominalmente identificados. A ausência dessa identificação completa não impede a configuração do crime quando a prova demonstra o caráter organizado e duradouro do grupo.

Em regra, o que os tribunais examinam caso a caso é se a narrativa fática sustenta a existência do vínculo estável, e não a formalidade de listar cada membro da organização.

O que dizem os tribunais

Informativo 885 do STJ

A caracterização do crime previsto no art. 288-A do Código Penal exige vínculo estável e permanente entre os integrantes da milícia, o que pode ser deduzido da narrativa fática, mesmo que ausentes (i) a identificação nominal de todos os integrantes da organização; e (ii) o emprego literal das expressões "estabilidade" e "permanência" pelas instâncias ordinárias.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Og Fernandes · j. 24/06/2026

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA, FRAUDES FISCAIS E TRIBUTÁRIAS, CORRUPÇÃO, PECULATO E LAVAGEM DE DINHEIRO. REEXAME DA MATERIALIDADE DELITIVA E DOS INDÍCIOS DE AUTORIA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. AFASTAMENTO DA FUNÇÃO PÚBLICA DE POLICIAL CIVIL. INVESTIGAÇÃO EM CURSO. NECESSIDADE E ADEQUAÇÃO DAS MEDIDAS. GARANTIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. RISCO DE REITERAÇÃO DE…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Og Fernandes · j. 17/06/2026

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRISÃO PREVENTIVA. MODUS OPERANDI. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA (MILÍCIA PRIVADA). MEDIDAS CAUTELARES INSUFICIENTES. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. ART. 226 DO CPP. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E DE INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. FLAGRANTE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.1. A via estreita do habeas corpus não comporta dilação probatória, sendo inviável…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 11/06/2026

RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIMES DE EXTORSÃO, CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA, RECEPTAÇÃO, CONTRABANDO E POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 240, § 1º, A, 241, 245, 386, III, 155, 158, CAPUT, E 315, § 2º, IV, TODOS DO CPP. INGRESSO DOMICILIAR SEM MANDADO. CONSENTIMENTO DE PESSOA PRESENTE E FUNDADAS RAZÕES DE FLAGRANTE. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. PROVAS JUDICIAIS PRODUZIDAS SOB CONTRADITÓRIO. ELEMENTOS INQ…

Acórdão

j. 08/06/2026

CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FAMÍLIA. UNIÃO ESTÁVEL. COMUNHÃO PARCIAL. PARTILHA DE BENS. PLEITO DE RESSARCIMENTO POR DÍVIDAS PARTICULARES ANTERIORES À UNIÃO. SUPOSTO ADIMPLEMENTO NA CONSTÂNCIA DA CONVIVÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FLUXO FINANCEIRO E DA ORIGEM DO DÉBITO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA N. 7/STJ. PARTILHA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA. PGBL. FASE DE ACUMULAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DE INVESTIMENTO FINANCEIRO. DISPONIBILIDADE…

Acórdão

j. 03/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus.Associação para o tráfico. Exigência de vínculo estável e permanente. Absolvição mantida. Agravo IMprovido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental interposto pelo órgão acusador contra decisão monocrática que concedeu ordem em habeas corpus para absolver o agravante da imputação do art. 35 da Lei n. 11.343/2006.2. Fato relevante. As instâncias ordinárias mantiveram a condenação por associação para o tráfico …

Acórdão

j. 03/06/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. EXIGÊNCIA DE VÍNCULO ESTÁVEL E PERMANENTE. ABSOLVIÇÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. O recurso. Agravo regimental interposto pelo órgão acusador contra decisão monocrática que concedeu ordem em habeas corpus para absolver o agravante da imputação do art. 35 da Lei n. 11.343/2006.2. Fato relevante. As instâncias ordinárias mantiveram a condenação por associação para o tráfico…

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