JurisprudênciaIA

A CVM pode impor restrições ao exercício da auditoria independente?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim, dentro de limites. No Tema 969 de repercussão geral, o STF declarou constitucionais os arts. 23 e 27 da Instrução 308/1999 da CVM, por estabelecerem restrições razoáveis, proporcionais e adequadas ao exercício da auditoria independente prestada às companhias sujeitas à fiscalização da autarquia.

O que o STF decidiu

A discussão envolvia saber se a CVM, por ato normativo próprio, poderia restringir o exercício da atividade de auditoria independente sem violar a liberdade profissional e o princípio da legalidade. O STF concluiu que os arts. 23 e 27 da Instrução 308/1999 são constitucionais, à luz de dispositivos como os arts. 5º, II e XIII, 170 e 174 da Constituição.

O fundamento central é que as restrições impostas por esses dispositivos são razoáveis, proporcionais e adequadas, e se dirigem à auditoria prestada às companhias sujeitas à fiscalização da CVM, âmbito em que a atuação regulatória da autarquia se justifica.

Limites e significado prático

A tese valida especificamente os arts. 23 e 27 da Instrução 308/1999. Ela não autoriza, por si só, qualquer restrição regulatória: o próprio julgado condiciona a validade ao caráter razoável, proporcional e adequado das limitações. Outras normas da CVM ou restrições distintas dependem de exame próprio.

Para auditores independentes e companhias abertas, a consequência é que as exigências desses dispositivos devem ser observadas, e questionamentos judiciais contra elas tendem a ser rejeitados com base na tese de repercussão geral, que vincula os demais órgãos do Judiciário em casos idênticos.

O que dizem os tribunais

Tema 969 da Repercussão Geral (STF) · RE 902.261

Os artigos 23 e 27 da Instrução 308/1999, da Comissão de Valores Mobiliários, ao estabelecerem restrições razoáveis, proporcionais e adequadas ao exercício da atividade de auditoria independente, prestada às companhias sujeitas à sua fiscalização, são constitucionais, à luz dos arts. 5º, incs. II e XIII, 84, incs. II e VI, 87, parágrafo único e inc. II, 88, 170 e 174 da Constituição Federal de 1988.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

REFERENDO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 7.791

Tribunal Pleno · Rel. FLÁVIO DINO · j. 25/05/2026

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N.º 14.317/2022. TAXA DE FISCALIZAÇÃO DOS MERCADOS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS (TFMTVM). ALTERAÇÃO DA SISTEMÁTICA DE CÁLCULO. RETENÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS PELO TESOURO NACIONAL. NATUREZA VINCULADA DA EXAÇÃO. ATROFIA INSTITUCIONAL DO CONSELHO DE VALORES MOBILIÁRIOS. CVM. OMISSÃO ESTRUTURAL E RISCO AO SISTEMA FINANCEIRO. DESVIO DE FINALIDADE CONTRAPRESTACIONAL DA TAX…

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.581.524

Tribunal Pleno · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 23/03/2026

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. INTEMPESTIVIDADE. INAPLICABILIDADE DA PRERROGATIVA DA ENTIDADE PÚBLICA EM PROCESSO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. DESCABIMENTO DO PRAZO EM DOBRO E DA INTIMAÇÃO PESSOAL PREVISTAS NO ART. 183 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL PARA INTERPOR RECURSO. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO. PRECEDENTES. INEXISTÊNCIA DE ARGUMENTOS APTOS A INFI…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.570.309

Primeira Turma · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 25/02/2026

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE PROVENTOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A APOSENTADORIA ANTES DAS EMENDAS CONSTITUCIONAIS NS. 20/1998 E 41/2003, APOSENTADORIA EFETIVADA EM 2021. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEPOIS DA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 41/2003: POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE NORMA DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ABSOLUTA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO T…

AG.REG. NA RECLAMAÇÃO 77.097

Segunda Turma · Rel. EDSON FACHIN · j. 02/12/2025

EMENTA: RECLAMAÇÃO. ADIS 3311, 4613 e 5631. APLICAÇÃO A ACÓRDÃO DO STJ SOBRE ABUSIVIDADE DE PUBLICIDADE VOLTADA A CRIANÇAS. INVIABILIDADE. INTRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. AUSÊNCIA DE ADERÊNCIA ESTRITA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - CASO EM EXAME 1. Ato reclamado que entendeu abusiva a publicidade voltada a crianças, não obstante o julgamento das ADIs 3311, 4613 e 5631, que versam sobre a constitucionalidade de restrições a veiculações de publicidade. II - QUES…

RE 1.543.955

Tribunal Pleno · Rel. CÁRMEN LÚCIA · j. 11/11/2025

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO OBJETIVO JULGADO PELO ÓRGÃO ESPECIAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. § 2º DO ART. 125 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO REGIMENTAL. INAPLICABILIDADE DA PRERROGATIVA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. CONTAGEM DE PRAZO A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. DESCABIMENTO DO PRAZO EM DOBRO DO ART. 183 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL PARA INTERPOSIÇÃO DE RE…

AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 1.531.776

Segunda Turma · Rel. GILMAR MENDES · j. 15/09/2025

Ementa: Direito administrativo e outras matérias de direito público. Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Contrato temporário. Nulidade. Temas 308 e 916 da repercussão geral. Súmula 279 do STF. Agravo regimental desprovido. I. Caso em exame 1. Trata-se de agravo regimental interposto pelo Município de Rio Verde/GO contra decisão monocrática que negou seguimento ao recurso extraordinário interposto em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Goiás. II. Ques…

Pesquise a jurisprudência completa

Busque decisões sobre este e outros temas em dezenas de tribunais brasileiros.

Pesquisar jurisprudência

Perguntas relacionadas

Como elaboramos esta resposta

As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.