JurisprudênciaIA

Bater em viatura policial em acidente configura crime de dano qualificado sem intenção de destruir?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Para o STJ, o crime de dano qualificado contra o patrimônio público (art. 163, parágrafo único, III, do Código Penal) exige dolo específico de destruir, inutilizar ou deteriorar a coisa, o chamado animus nocendi. Se a viatura foi atingida de forma acidental, em colisão decorrente de direção imprudente, não há crime de dano, nem mesmo por dolo eventual.

A exigência do dolo específico

O tipo penal do dano não se contenta com o dolo genérico. É preciso que a vontade do agente seja dirigida a causar prejuízo patrimonial ao dono da coisa. No caso julgado, o réu perdeu o controle do veículo, colidiu com um poste e, em seguida, atingiu a viatura que fazia o acompanhamento: um resultado acidental, sem indício de que tenha dirigido deliberadamente contra o patrimônio público.

Dirigir em alta velocidade e realizar manobras arriscadas caracteriza imprudência no trânsito, mas não demonstra, por si só, a intenção de danificar a viatura. Sem esse elemento subjetivo específico, a condenação por dano qualificado não se sustenta.

Por que o dolo eventual não basta

Mesmo que se cogite de dolo eventual quanto aos danos possíveis da condução imprudente, o STJ entendeu que essa modalidade não satisfaz a exigência do animus nocendi, que é elemento subjetivo específico do tipo. A distinção é decisiva: assumir o risco de danificar não equivale a querer danificar.

Na prática, a acusação precisa demonstrar que o agente quis atingir o bem público. Colisões ocorridas em fugas ou perseguições são examinadas caso a caso, verificando-se se houve direcionamento deliberado do veículo contra a viatura.

O que dizem os tribunais

Informativo 856 do STJ

Dano qualificado. Dolo específico. Animus nocendi . Necessidade. Viatura policial atingida em acidente. Dolo eventual. Insuficiência. A ausência do dolo específico de deteriorar ou destruir o patrimônio público ( animus nocendi ) impede a condenação pelo crime de dano qualificado. A questão em discussão consiste em saber se a configuração do crime de dano qualificado, previsto no art. 163, parágrafo único, III, do Código Penal, exige a presença de dolo específico, ou se o dolo genérico é suficiente. Para a caracterização do crime tipificado no art. 163, parágrafo único, III, do Código Penal, é imprescindível o dolo específico de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, ou seja, a von…”Ler na íntegra

Dano qualificado. Dolo específico. Animus nocendi . Necessidade. Viatura policial atingida em acidente. Dolo eventual. Insuficiência. A ausência do dolo específico de deteriorar ou destruir o patrimônio público ( animus nocendi ) impede a condenação pelo crime de dano qualificado. A questão em discussão consiste em saber se a configuração do crime de dano qualificado, previsto no art. 163, parágrafo único, III, do Código Penal, exige a presença de dolo específico, ou se o dolo genérico é suficiente. Para a caracterização do crime tipificado no art. 163, parágrafo único, III, do Código Penal, é imprescindível o dolo específico de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, ou seja, a vontade do agente deve ser voltada a causar prejuízo patrimonial ao dono da coisa, pois deve haver o animus nocendi . Na espécie, o réu, após perder o controle da direção do veículo e colidir com um poste, atingiu a viatura policial que realizava o acompanhamento. Trata-se, portanto, de resultado acidental, decorrente da colisão anterior com o poste, não havendo indicativo de que o réu tenha dirigido deliberadamente o veículo contra a viatura policial visando a danificá-la. Com efeito, o fato de o acusado haver agido de forma imprudente no trânsito, dirigindo em alta velocidade e praticando manobras arriscadas, por si só, não caracteriza o dolo específico de danificar o patrimônio público, requisito indispensável à configuração do delito de dano. Ainda que se possa cogitar de dolo eventual em relação aos possíveis danos resultantes da condução imprudente, tal modalidade não satisfaz a exigência de animus nocendi que, como visto, configura elemento subjetivo específico do tipo. Código Penal (CP), art. 163, parágrafo único, III . Jurisprudência em Teses / DIREITO PENAL - EDIÇÃO N. 87: CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO - IV

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