Informativo 719 do STJ · Decretos 678
“O ajuizamento de duas ações penais referentes aos mesmos fatos, uma na Justiça Comum Estadual e outra na Justiça Eleitoral, viola a garantia contra a dupla incriminação.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Conforme o STJ em informativo de jurisprudência, o ajuizamento de duas ações penais pelos mesmos fatos, uma na Justiça Comum Estadual e outra na Justiça Eleitoral, viola a garantia contra a dupla incriminação (ne bis in idem). Havendo absolvição penal na Justiça Eleitoral, a persecução remanescente na Justiça Comum não pode prosseguir.
A garantia do ne bis in idem não tem previsão expressa na Constituição de 1988, mas é limite implícito ao poder estatal, derivado da coisa julgada (art. 5º, XXXVI) e de compromissos internacionais do Brasil. A Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 8º, n. 4) e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (art. 14, n. 7), incorporados com status supralegal, vedam a dupla incriminação.
Como o Ministério Público é instituição una, o ajuizamento de duas ações penais idênticas, ainda que perante ramos diferentes do Judiciário, configura dupla persecução penal pelos mesmos fatos.
O ponto decisivo é que a sentença absolutória da Justiça Eleitoral, não recorrida, foi proferida no exercício de verdadeira jurisdição criminal, com cognição exauriente. O que separa a Justiça Comum da Eleitoral em matéria penal é apenas a competência: ambas integram a mesma jurisdição criminal, una por natureza. Por isso, o argumento genérico de independência das instâncias não sustenta o prosseguimento da ação remanescente quando as acusações são idênticas.
Situação diferente é a da absolvição em ação de improbidade administrativa: por pertencer ao direito administrativo sancionador, ela não vincula a esfera penal, embora seus argumentos possam servir como elementos de persuasão. E, sendo distintas as imputações em cada processo, cada ramo do Judiciário pode julgá-las normalmente, análise que se faz caso a caso.
“O ajuizamento de duas ações penais referentes aos mesmos fatos, uma na Justiça Comum Estadual e outra na Justiça Eleitoral, viola a garantia contra a dupla incriminação.”
Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.
j. 05/05/2026
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL. AGRAVANTE DO ART. 61, II, "F", E MAJORANTE DO ART. 226, II, DO CÓDIGO PENAL. ALEGAÇÃO DE DUPLA VALORAÇÃO DOS MESMOS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO TEMA 1.215/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheceu do agravo e …
j. 05/05/2026
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Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 31/03/2026
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. BIS IN IDEM. COISA JULGADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto pela defesa em habeas corpus impetrado em favor de paciente condenado, em sede de apelação criminal, pela prática do crime previsto no art. 2º, § 2º, da Lei n. 12.850/2013 (organização criminosa com emprego de arma de fogo), à pena de 5 anos, 5 meses e 10 dias de …
Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 25/03/2026
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DUPLA PERSECUÇÃO PENAL. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "A litispendência guarda relação com a ideia de que ninguém pode ser processado quando está pendente de julgamento um litígio com as mesmas partes (eadem personae), sobre os mesmos fatos (eadem res) e com a mesma pretensão (eadem petendi), que é expressa por antiga máxima …
Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 25/03/2026
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Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 18/03/2026
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. AMPLIAÇÃO INDEVIDA DO POLO ATIVO. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM PARA DECRETAR PERDA DE GRADUAÇÃO. REITERAÇÃO DE TESE JÁ APRECIADA EM WRIT ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO. ALEGAÇÃO DE DUPLA PERSECUÇÃO PENAL. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO PARA AFERIÇÃO DE IDENTIDADE ABSOLUTA ENTRE OS FATOS. INVIABILIDADE NA VIA ESTREITA DO HABEAS CORPUS. AGRAVO DESPROVIDO, NA PARTE CONHECIDA. 1. Não se conhece do agravo …
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