Os fundamentos da inconstitucionalidade
A EC 123/2022 instituiu um estado de emergência no ano eleitoral de 2022 e, com base nele, criou e ampliou benefícios sociais a poucos meses do pleito. O STF entendeu que esse arranjo violou dois pilares do processo eleitoral: a igualdade entre os candidatos e a anterioridade eleitoral, que impede mudanças no processo eleitoral no ano da eleição.
O problema identificado não foi a política social em si, mas o momento e o formato da medida: a criação e ampliação de benefícios três meses antes das eleições desequilibra a disputa em favor de quem está no poder, comprometendo a paridade de armas entre os concorrentes.
O alcance da decisão
A declaração de inconstitucionalidade atinge as normas da emenda relacionadas ao estado de emergência e à criação e ampliação dos benefícios naquele contexto eleitoral. O precedente sinaliza que nem mesmo emendas constitucionais escapam do controle quando afrontam a igualdade eleitoral e a anterioridade.
Para situações futuras semelhantes, o entendimento serve de parâmetro: medidas que ampliem benefícios sociais às vésperas de eleições tendem a ser examinadas com rigor, e a análise dos efeitos concretos de cada norma é feita caso a caso.
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