JurisprudênciaIA

Juiz pode fixar indenização mínima por dano moral no roubo sem prova específica do sofrimento da vítima?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. O STJ, em informativo de jurisprudência, firmou que a fixação de indenização mínima por danos morais na sentença penal, com base no art. 387, IV, do CPP, não exige instrução probatória sobre o dano psíquico ou o grau de sofrimento da vítima. Basta pedido expresso na denúncia, o que assegura o contraditório e a ampla defesa.

O que mudou no entendimento

A Quinta Turma do STJ revisou sua posição para adotar o entendimento da Sexta Turma: para o valor mínimo indenizatório do art. 387, IV, do CPP, é desnecessária instrução probatória específica sobre o dano moral, característica do processo civil. O dano é debatido ao longo do próprio processo penal, já que o réu se defende dos fatos imputados na denúncia.

A norma, alterada pela Lei 11.719/2008, busca dar efetividade aos direitos civis da vítima e permitir, desde a condenação, algum grau de reparação, na medida do prejuízo evidenciado na instrução da ação penal.

Valor mínimo, não exauriente

A fixação na sentença penal é de um piso, não do valor integral da reparação. A vítima pode promover liquidação complementar no cível para apurar o dano efetivamente sofrido, nos termos do art. 509, II, do CPC e do art. 63, parágrafo único, do CPP.

No caso concreto, um roubo majorado com faca no pescoço da vítima, as instâncias ordinárias constataram o trauma psicológico pelo próprio contexto criminoso. Em regra, o abalo decorre de forma inequívoca das provas dos autos, mas a dimensão do valor fixado é examinada pelos tribunais caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 784 do STJ

Para fixação de indenização mínima por danos morais, nos termos do art. 387, IV, do CPP, não se exige instrução probatória acerca do dano psíquico, do grau de sofrimento da vítima, bastando que conste pedido expresso na inicial acusatória, garantia suficiente ao exercício do contraditório e da ampla defesa.

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