JurisprudênciaIA

Juiz da execução penal pode impor condições que não estavam previstas no acordo de colaboração premiada?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ decidiu que não cabe ao juízo da execução penal estabelecer condições que não constam do acordo de colaboração premiada. Como a sanção pactuada não decorre de sentença condenatória, mas de pacto entre o Ministério Público e o colaborador, seu cumprimento segue os termos do próprio acordo, e não as regras da Lei de Execução Penal.

Por que a LEP não se aplica integralmente

A privação de liberdade oriunda do acordo de colaboração premiada não equivale à prisão-pena, pois não resulta de condenação judicial, e sim de ajuste firmado dentro das hipóteses legais. Por não ter natureza de sanção penal em sentido estrito, sua execução não se submete às regras da Lei de Execução Penal previstas para o cumprimento de pena imposta em sentença.

O que rege a progressão de fases e as demais etapas do cumprimento é o que foi pactuado entre o Ministério Público e o colaborador, respeitado o limite máximo e global da sanção ajustada no ato cooperativo.

Consequências práticas para o colaborador

O juízo da execução não pode agravar a situação do colaborador acrescentando exigências não previstas na avença. Se o colaborador descumpre os termos do acordo, o caminho é a revogação do pacto e o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público, com o regular andamento da ação penal.

Na prática, quem cumpre sanção decorrente de colaboração premiada deve conferir no próprio termo do acordo as condições de cada fase. Os tribunais examinam caso a caso se as exigências impostas têm respaldo no que foi pactuado.

O que dizem os tribunais

Informativo 831 do STJ · Pet 12.673

Acordo de colaboração premiada. Progressão de fase do cumprimento da avença. Acréscimo de condições pelo Juízo da Execução. Impossibilidade. Obediência aos termos do ajuste. Não cabe ao Juízo da Execução Penal estabelecer condições não previstas no acordo de colaboração premiada. A pena decorrente do acordo de colaboração premiado não constitui reprimenda no sentido estrito da palavra, pois não decorre de sentença de natureza condenatória decretada pelo Poder Judiciário, mas sim de pacto firmado entre o Ministério Público e o agente dentro das hipóteses previstas no nosso ordenamento jurídico. Eventual descumprimento dos termos do acordo pelo colaborador implica na sua revogação e no ofereci…”Ler na íntegra

Acordo de colaboração premiada. Progressão de fase do cumprimento da avença. Acréscimo de condições pelo Juízo da Execução. Impossibilidade. Obediência aos termos do ajuste. Não cabe ao Juízo da Execução Penal estabelecer condições não previstas no acordo de colaboração premiada. A pena decorrente do acordo de colaboração premiado não constitui reprimenda no sentido estrito da palavra, pois não decorre de sentença de natureza condenatória decretada pelo Poder Judiciário, mas sim de pacto firmado entre o Ministério Público e o agente dentro das hipóteses previstas no nosso ordenamento jurídico. Eventual descumprimento dos termos do acordo pelo colaborador implica na sua revogação e no oferecimento de denúncia pelo Parquet em seu desfavor, com o regular andamento da ação penal até a prolação de sentença. Sobre o tema, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AgRg na Pet 12.673/DF, relator Ministro Raul Araújo, já assentou que "a privação de liberdade oriunda do acordo de colaboração premiada não equivale à prisão-pena" e, desta forma, por não possuir a natureza jurídica de sanção penal, na sua execução não se deve obedecer as regras previstas na Lei de Execução Penal para o cumprimento de reprimenda decorrente de uma sentença condenatória. Assim, o cumprimento do que foi pactuado entre o Ministério Público e o acusado obedece aos termos que restaram assentados no acordo de colaboração premiada e não as regras da Lei de Execução Penal, pois deve "ser respeitado o limite máximo e global da sanção ajustada no ato cooperativo" (STF, RE 1.366.665 AgR, Relator Min. Edson Fachin, Segunda Turma, DJe de 22/8/2024). Desta forma, na execução do acordo de colaboração premiada devem ser observados os termos nele fixados, por não se tratar de execução penal típica.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Corte Especial · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 09/06/2026

PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA. CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES. FISHING EXPEDITION. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.1. As razões do agravo regimental não são suficientes para afastar a conclusão da decisão agravada.2. Afasta-se a alegação de ausência de voluntariedade do acordo de colaboração premiada quando o ajuste foi celebrado com assistência…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 04/03/2026

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. COLABORAÇÃO PREMIADA. DOSIMETRIA DA PENA DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. PERDÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO VALOR DO DIA-MULTA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. As instâncias ordinárias consideraram que a colaboração premiada do agravante não foi a única fonte de prova para comprovar os fatos tratados, sendo adequada a fração de 1/2 para redução das penas, conforme o acordo de colabora…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 25/02/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COLABORAÇÃO PREMIADA. AUSÊNCIA DE DEFEITOS NO JULGADO. DESCUMPRIMENTO EMBARGOS REJEITADOS. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que desproveu agravo regimental em recurso especial, mantendo a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 2. A parte embargante reiterou alegações de necessidade de concessão dos benefícios do acordo de colaboração premiada, homologado pelo Supremo Tribunal F…

Acórdão

Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 25/02/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORRUPÇÃO PASSIVA E LAVAGEM DE DINHEIRO. COLABORAÇÃO PREMIADA. EMBARGOS REJEITADOS. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que desproveu agravo regimental em recurso especial, mantendo a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 2. A parte embargante alegou a obrigatoriedade da aplicação de benefícios previstos em acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal, …

Acórdão

Terceira Seção · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 10/12/2025

AGRAVO REGIMENTAL NO PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COLABORAÇÃO PREMIADA. AÇÃO PENAL RELACIONADA À "OPERAÇÃO UNIÃO". COMPETÊNCIA PARA HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU. ALCANCE DA COGNIÇÃO DO STJ EM RECURSO ESPECIAL. LIMITAÇÃO AO OBJETO DO RECURSO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O Ministério Público Federal requereu a homologação de acordo de colaboração premiada celebrado com o agravante, para que surta efeitos na Ação Penal n.…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 21/10/2025

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA. COMPETÊNCIA. DOSIMETRIA DA PENA. REGIME INICIAL. EMBARGOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS PARA CORREÇÃO DE ERRO MATERIAL. I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça que desproveu agravo regimental, mantendo a condenação do embargante e rejeitando a tese de nulidade do acordo de colaboração premiada e de revisão da dosimetria da pena. …

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