Informativo 770 do STJ · REsp 1.620.158
“Verificado que a lesão é o resultado das agressões sofridas, a existência de concausa anterior relativamente independente não impede a condenação pelo crime de lesão corporal grave.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Conforme entendimento divulgado em informativo do STJ, verificado que a perda dos dentes resultou das agressões, a existência de doença preexistente que causa a perda precoce dos dentes (concausa anterior relativamente independente) não impede a condenação por lesão corporal grave, sendo inviável a desclassificação para lesão leve.
O raciocínio do julgado parte do critério da eliminação hipotética: se a conduta do agressor fosse mentalmente suprimida, a vítima não teria perdido os dois dentes naquele momento. Ou seja, mesmo com a doença preexistente, a perda ocorreu naquela oportunidade por causa das agressões.
Assim, a concausa anterior relativamente independente não rompe o nexo causal. A fragilidade prévia da vítima não beneficia o agressor quando o resultado grave é desdobramento direto da conduta praticada.
O julgado reafirma que a perda de dentes configura debilidade permanente de membro, sentido ou função, enquadrando-se na lesão corporal grave do art. 129, §1º, III, do Código Penal, e não deformidade permanente, embora reduza a capacidade de mastigação.
Na prática, a classificação da lesão e a análise do nexo causal dependem da prova produzida em cada processo, inclusive da conclusão do juiz sobre a origem do resultado. Os tribunais examinam caso a caso se a lesão decorreu efetivamente da agressão ou de causa totalmente independente.
“Verificado que a lesão é o resultado das agressões sofridas, a existência de concausa anterior relativamente independente não impede a condenação pelo crime de lesão corporal grave.”
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