JurisprudênciaIA

As medidas protetivas da Lei Maria da Penha podem ser revogadas só pelo passar do tempo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo o STJ em informativo de jurisprudência, as medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha não têm prazo de vigência e não podem ser revogadas apenas pelo decurso do tempo: é preciso demonstrar que cessou a situação de risco à ofendida, com manifestação da vítima antes da revogação.

Vigência atrelada ao risco, não ao calendário

Para o STJ, as medidas protetivas têm feição de tutela inibitória, com conteúdo satisfativo, e não se vinculam necessariamente a um procedimento principal. Seu objeto é a proteção da vítima, de modo que devem permanecer enquanto durar a situação de perigo à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral da mulher.

Embora provisórias, elas não nascem com data de validade. A desnecessidade da medida não se presume pelo simples fato de estar vigente há certo período: quem pede a revogação precisa demonstrar concretamente que o risco cessou, e essa avaliação cabe ao juízo de origem.

Revisão periódica e papel da vítima

Para evitar a perenização indevida, o STJ orienta a revisão periódica da necessidade de manutenção das medidas. Essa revisão, porém, é um exame de mérito sobre a persistência do perigo, e não um mecanismo de caducidade automática.

A jurisprudência do STJ também exige a manifestação da vítima antes da revogação. Na prática, pedidos fundados apenas no tempo decorrido tendem a ser indeferidos, e os juízos examinam caso a caso os elementos que indiquem a cessação ou a continuidade do risco.

O que dizem os tribunais

Informativo 807 do STJ · CC 156.284

As medidas protetivas de urgência, embora tenham caráter provisório, não possuem prazo de vigência, devendo vigorar enquanto persistir a situação de risco à ofendida.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T6 - SEXTA TURMA · Rel. CARLOS PIRES BRANDÃO · j. 12/08/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA E AMEAÇA. PRISÃO PREVENTIVA. EVASÃO DO DISTRITO DA CULPA. CONTEMPORANEIDADE. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DO CÁRCERE. AGRAVO NÃO PROVIDO.I. Caso em exame1. Agravo regimental contra decisão monocrática que denegou ordem em habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação da prisão preventiva decretada em ação penal por descumprimento de medida proteti…

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T5 - QUINTA TURMA · Rel. MARIA MARLUCE CALDAS · j. 12/08/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. LEI MARIA DA PENHA. MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. ALEGADA EXPIRAÇÃO DO PRAZO DA MEDIDA PROTETIVA. ATIPICIDADE DA CONDUTA E AUSÊNCIA DE DOLO. TEMA REPETITIVO 1.249/STJ. AGRAVO DESPROVIDO.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que negou provimento a recurso em habeas corpus, no qual se buscava o trancamento de ação penal instaurad…

Acórdão

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DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA. MANUTENÇÃO FUNDAMENTADA. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação integral de medidas protetivas de urgência impostas em contexto de violência doméstica e familiar, consistentes na proibição de aproximação, proibição de contato e …

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Acórdão

T5 - QUINTA TURMA · Rel. REYNALDO SOARES DA FONSECA · j. 03/06/2026

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T5 - QUINTA TURMA · Rel. MARIA MARLUCE CALDAS · j. 02/06/2026

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