JurisprudênciaIA

Pais que recusam vacinar o filho contra a COVID-19 podem ser multados com base no ECA?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Em julgado divulgado em informativo do STJ, a Corte entendeu que a recusa dos pais em vacinar filho contra a COVID-19, mesmo após advertência do Conselho Tutelar e do Ministério Público, caracteriza descumprimento dos deveres da autoridade familiar e autoriza a multa do art. 249 do ECA, salvo risco concreto à saúde da criança.

Autoridade parental tem limites

O julgado registra que, desde a Constituição de 1988, a autoridade parental deixou de ser um poder de chefia e passou a ser um poder-dever de cuidado, balizado pela paternidade responsável e pela proteção integral da criança e do adolescente. A autonomia dos pais, portanto, não é absoluta e não autoriza negligência aos direitos fundamentais dos filhos.

O ECA prevê a obrigatoriedade da vacinação de crianças quando recomendada pelas autoridades sanitárias. O STJ também invocou o Tema 1103 do STF, que fixou os requisitos para a vacinação obrigatória: inclusão no Programa Nacional de Imunizações, previsão em lei ou determinação de ente federativo fundada em consenso médico-científico.

Quando a recusa vira infração e qual a exceção

Segundo o julgado, a escusa dos pais configura negligência parental passível de sanção estatal, pois o melhor interesse da criança prevalece sobre a autonomia dos genitores. No caso apreciado, os pais haviam sido advertidos dos riscos pelo Conselho Tutelar e pelo Ministério Público e, ainda assim, mantiveram a recusa, o que autorizou a multa do art. 249 do ECA.

A própria decisão ressalva a hipótese de risco concreto à integridade psicofísica da criança, quando determinada vacina não lhe for recomendável. Fora dessa exceção, que depende de demonstração no caso concreto, a vacinação infantil é tratada como dever dos pais e como pacto coletivo de saúde pública.

O que dizem os tribunais

Informativo 844 do STJ

A recusa dos pais em vacinar filho ou adolescente contra a COVID-19, mesmo advertidos dos riscos de sua conduta pelo Conselho Tutelar Municipal e pelo Ministério Público Estadual, autoriza a aplicação da sanção pecuniária prevista no art. 249 do ECA.

Decisões recentes sobre o tema

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j. 06/05/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 241-A E 241-B DO ECA. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. RECUSA MINISTERIAL. REMESSA À INSTÂNCIA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO. INADMISSIBILIDADE DIANTE DA AUSÊNCIA DE REQUISITO OBJETIVO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interp…

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Quarta Turma · Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti · j. 16/12/2025

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