JurisprudênciaIA

Ofensas do desembargador contra o réu durante o julgamento da apelação anulam a decisão?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, podem anular. Segundo entendimento do STJ divulgado em informativo de jurisprudência, expressões ofensivas, desrespeitosas e pejorativas dirigidas pelo magistrado ao réu na sessão de julgamento podem configurar nulidade absoluta por suspeição, pois violam a garantia constitucional da imparcialidade, componente do devido processo legal no sistema acusatório.

Da falta de urbanidade à quebra de imparcialidade

A Lei Orgânica da Magistratura impõe ao juiz o dever de tratar com urbanidade as partes, advogados e demais participantes do processo. O entendimento, contudo, distingue a mera descortesia do excesso verbal que revela envolvimento emocional do julgador com o acusado: quando as ofensas exorbitam da falta de urbanidade, ficam objetivamente demonstradas a parcialidade e a hipótese de suspeição, com nulidade fundada nos arts. 254, I, e 564, I, do CPP.

O caso julgado envolvia manifestação oral do revisor, relator para o acórdão, na sessão de julgamento da apelação. Mesmo sem constar do voto escrito, as ofensas documentadas como fato processual foram consideradas causa de nulidade absoluta.

Fundamento convencional e alcance prático

Além da base constitucional do devido processo legal (art. 5º, LIV, da Constituição), o entendimento invoca a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que assegura a toda pessoa o respeito à integridade moral e o direito de ser julgada por tribunal independente e imparcial.

Na prática, a defesa deve documentar as manifestações ofensivas ocorridas em sessão, ainda que orais, pois a nulidade não depende de o excesso constar do acórdão escrito. Os tribunais examinam caso a caso se as expressões ultrapassaram a crítica legítima à conduta imputada e atingiram a honra do jurisdicionado.

O que dizem os tribunais

Informativo 734 do STJ

Expressões ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na sessão de julgamento contra a honra do jurisdicionado que está sendo julgado, podem configurar causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusatório.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro João Otávio de Noronha · j. 25/05/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADO. PARTICIPAÇÃO EM EVENTO PÚBLICO COM AGENTES POLÍTICOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.I. CASO EM EXAME1. A controvérsia cinge-se à violação do art. 145 do CPC quanto à suspeição por participação da magistrada em evento público ao lado de agentes políticos.2. A Corte de origem rejeitou o incidente de suspeição.II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO3. Há duas questões em discussão: (i) saber se a participação da…

Acórdão

j. 13/05/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO JUIZ NATURAL E À IMPARCIALIDADE SUBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de acusado em ação penal, no qual se pretendia o reconhecimento d…

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 13/05/2026

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE MAGISTRADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AO JUIZ NATURAL E À IMPARCIALIDADE SUBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. AGRAVO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus impetrado em favor de acusado em ação penal, no qual se pretendia o reconhecimento da…

Acórdão

j. 11/05/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE SUSPEIÇÃO CÍVEL. IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO. APARÊNCIA DE IMPARCIALIDADE. AMICUS CURIAE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. SÚMULA 7/STJ. PEDIDO DE INGRESSO COMO AMICUS CURIAE INDEFERIDO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto por entidade de previdência complementar fechada contra decisão monocrática que não conheceu de recurso especial manejado com fundamento na a…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro Luís Carlos Gambogi (desembargador Convocado do Tjmg) · j. 11/05/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDENTE DE SUSPEIÇÃO CÍVEL. IMPARCIALIDADE DO MAGISTRADO. APARÊNCIA DE IMPARCIALIDADE. AMICUS CURIAE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. SÚMULA 7/STJ. PEDIDO DE INGRESSO COMO AMICUS CURIAE INDEFERIDO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo interno interposto por entidade de previdência complementar fechada contra decisão monocrática que não conheceu de recurso especial manejado com fundamento na al…

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