JurisprudênciaIA

Mensalidades de alunos de instituição de ensino sem fins lucrativos pagam PIS e COFINS?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não, quanto à COFINS. O Tema 624 do STJ definiu que as mensalidades pagas pelos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são receitas de atividades próprias da entidade, alcançadas pela isenção do art. 14, X, da MP 2.158-35/2001, e declarou ilegal a restrição imposta pelo art. 47, § 2º, da IN/SRF 247/2002 nessa extensão.

Mensalidades como atividade própria da entidade

A isenção legal alcança as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. A controvérsia estava em saber se as mensalidades escolares entrariam nesse conceito ou se seriam receita de natureza contraprestacional, fora da isenção, como pretendia a Receita Federal na IN/SRF 247/2002.

A tese resolveu a favor das instituições de ensino: cobrar mensalidade dos alunos é justamente o exercício da atividade educacional que constitui a finalidade da entidade. Por isso, essas receitas são atividades próprias e estão cobertas pela isenção da MP 1.858/99, atual MP 2.158-35/2001.

A ilegalidade da instrução normativa

Ao restringir o conceito de atividades próprias para excluir receitas com caráter contraprestacional, o art. 47, § 2º, da IN/SRF 247/2002 extrapolou a lei que pretendia regulamentar. A tese declara flagrante essa ilicitude na extensão em que a norma infralegal reduziu o alcance da isenção.

Na prática, instituições de ensino sem fins lucrativos que recolheram o tributo sobre mensalidades podem discutir a cobrança e eventuais restituições, observados os requisitos para o enquadramento como entidade sem fins lucrativos, que a administração e os tribunais verificam caso a caso.

O que dizem os tribunais

Tema Repetitivo 624 (STJ) · REsp 1353111/RS

As receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158-35/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, § 2o, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

j. 18/05/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. APURAÇÃO DE HAVERES. MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVA. ANÁLISE CONTRATUAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NA DECISÃO EMBARGADA. EMBARGOS REJEITADOS.I. Caso em exame 1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu de agravo em recurso especial interposto em ação de apuração e pagamento de haveres sociai…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministra Daniela Teixeira · j. 18/05/2026

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. APURAÇÃO DE HAVERES. MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVA. ANÁLISE CONTRATUAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NA DECISÃO EMBARGADA. EMBARGOS REJEITADOS.I. Caso em exame1. Embargos de declaração opostos contra acórdão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu de agravo em recurso especial interposto em ação de apuração e pagamento de haveres sociais…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Humberto Martins · j. 11/05/2026

PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. PANDEMIA DE COVID-19. CURSO DE MEDICINA. REDUÇÃO DE MENSALIDADES. TEORIA DA IMPREVISÃO. ONEROSIDADE EXCESSIVA. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS PARA REVISÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DESEQUILÍBRIO ECONÔMICO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.1. A controvérsia cinge-se em verificar a possibilidade de redução do valor das mensalidades de curso superior de Medicina em razão …

Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 04/03/2026

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. TRANSFERÊNCIA EX OFFICIO DE MATRÍCULA ENTRE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. REQUISITOS DE CONGENERIDADE. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL AUTÔNOMO. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SÚMULA 126/STJ. ANÁLISE DE LEI MUNICIPAL PARA AVALIAR A CONGENERIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280/STF. DISSÍDIO PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A agravante pleiteia a transferência ex officio de sua matrícula d…

Acórdão

Quarta Turma · Rel. Ministro João Otávio de Noronha · j. 16/12/2025

DIREITO EMPRESARIAL. RECURSOS ESPECIAIS JULGADOS EM CONJUNTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recursos especiais interpostos contra único acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que revogou a decisão de primeiro grau que havia autorizado o processamento do pedido de recuperação judicial de associação civil sem fins lucrativos. 2. A decisão de segundo grau fundamentou-se na ausência de previsão l…

Acórdão

j. 16/12/2025

DIREITO EMPRESARIAL. RECURSOS ESPECIAIS JULGADOS EM CONJUNTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. RECURSO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME 1. Recursos especiais interpostos contra único acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que revogou a decisão de primeiro grau que havia autorizado o processamento do pedido de recuperação judicial de associação civil sem fins lucrativos.2. A decisão de segundo grau fundamentou-se na ausência de previsão leg…

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