JurisprudênciaIA

Entidade fechada de previdência complementar pode cobrar juros de banco em contrato de empréstimo com beneficiário?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo o STJ, em entendimento divulgado em informativo, as entidades fechadas de previdência complementar não se equiparam a instituições financeiras. Nos contratos de mútuo com seus beneficiários, é ilegítima a cobrança de juros remuneratórios acima do limite legal, admitida a capitalização apenas anual, se pactuada, após o Código Civil de 2002.

Por que fundos de pensão não são bancos

As entidades fechadas de previdência complementar são organizadas como fundação ou sociedade civil sem fins lucrativos e têm por atividade principal administrar planos previdenciários, com base no associativismo e no mutualismo. Todo excedente do fundo reverte em favor dos próprios participantes, o que afasta a natureza comercial e a finalidade de fomento ao crédito.

Por isso, apenas as entidades abertas de previdência complementar são equiparadas a instituições financeiras e escapam da Lei de Usura. As fechadas, não: nos empréstimos que concedem a beneficiários, submetem-se à vedação de juros superiores ao dobro da taxa legal e à proibição de contar juros sobre juros.

Limites de juros e capitalização

A consequência prática é dupla. Primeiro, os juros remuneratórios do mútuo celebrado com a entidade fechada ficam sujeitos ao limite legal, diferentemente do que ocorre com contratos bancários. Segundo, a capitalização de juros só é admitida na periodicidade anual, e ainda assim desde que expressamente pactuada, após a entrada em vigor do Código Civil de 2002.

Vale lembrar que o próprio STJ já consolidou, na Súmula 563, que o Código de Defesa do Consumidor não se aplica à relação entre entidade fechada e seus participantes, pois o fundo de pensão não é fornecedor. A verificação de cláusulas concretas de cada contrato, porém, continua sendo feita caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 741 do STJ · LC 109

Nos contratos de mútuo celebrados pelas entidades fechadas de previdência complementar com seus beneficiários, é ilegítima a cobrança de juros remuneratórios acima do limite legal, autorizada a capitalização de juros somente na periodicidade anual, desde que pactuada, após a entrada em vigor do Código Civil de 2002.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

S2 - SEGUNDA SEÇÃO · Rel. RAUL ARAÚJO · j. 18/08/2026

CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. PROPOSTA DE AFETAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE MÚTUO FIRMADO COM ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DEFINIÇÃO SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. VIABILIDADE DA FIXAÇÃO DE TESE CONCENTRADA E DE EFEITOS VINCULANTE.1. Delimitação da controvérsia: Para os efeitos dos arts. 927 e 1.036 do CPC, propõe-se a afetação do seguinte tema repetitivo:"Definir o termo inicial do prazo prescricio…

Acórdão

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Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. MARIA ISABEL GALLOTTI · j. 12/08/2026

AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE FECHADA QUE NÃO SE QUALIFICA COMO INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO.1. As entidades fechadas de previdência privada não se equiparam às instituições financeiras e nem integram o sistema financeiro nacional e, portanto, a elas é vedado inserir previsão de capitalizaçã…

Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. MARIA ISABEL GALLOTTI · j. 30/06/2026

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR FECHADA. CONTRATO DE MÚTUO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. VEDAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem se manifesta de forma fundamentada sobre os pontos essenciais à solução da controvérsia, ainda que em sentido contrário ao interesse…

Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA · j. 30/06/2026

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE MÚTUO. AÇÃO REVISIONAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. ENTIDADES FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. NÃO EQUIPARAÇÃO. JUROS CAPITALIZADOS. IMPOSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. ÚLTIMA PARCELA.1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, ap…

Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA · j. 30/06/2026

DIREITO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA, CAPITALIZAÇÃO DE JUROS, TABELA PRICE/SAC, PRESCRIÇÃO E NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. LEGALIDADE DA CAPITALIZAÇÃO DE JUROS E UTILIZAÇÃO DA TABELA PRICE/SAC EM ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR E OCORRÊNCIA OU NÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.I. CASO EM EXAME1. Agravo em recurso es…

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