Descarte elimina a expectativa de privacidade
O raciocínio central é que todo material, genético ou documental, uma vez descartado pelo investigado, deixa sua posse e seu domínio. A partir daí, não subsiste expectativa de privacidade nem é possível invocar o direito de não colaborar com as investigações, dispensando-se autorização judicial para a apreensão e a análise do conteúdo.
No caso julgado, os sacos de lixo foram colhidos na calçada, do lado de fora de um escritório usado pela organização investigada, sem qualquer ingresso no imóvel. As anotações encontradas serviram de suporte ao que já estava sendo apurado.
Por que não houve pesca probatória
A chamada fishing expedition é a investigação indiscriminada, sem objetivo certo ou declarado, em busca de qualquer prova. Não foi o que ocorreu: a polícia já havia mapeado estabelecimentos de fachada, identificado integrantes e conhecido o modo de agir do grupo, e a campana estava toda documentada quando surgiu a oportunidade do recolhimento.
O entendimento não é um salvo-conduto genérico: os tribunais examinam caso a caso se o descarte foi voluntário, se o material estava em local público e se a diligência se inseria em investigação com objeto delimitado.
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