Informativo 720 do STJ
“As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Segundo informativo do STJ, a quebra da cadeia de custódia não gera, por si só, nulidade automática nem exclusão imediata da prova. As irregularidades devem ser sopesadas pelo juiz com todos os elementos produzidos na instrução, para aferir se a prova é confiável; sem outras provas que sustentem a acusação, a absolvição se impõe por insuficiência probatória.
Cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos que documenta a história cronológica do vestígio, do reconhecimento ao descarte, garantindo que o item apresentado em juízo é o mesmo coletado (princípio da mesmidade). O Pacote Anticrime detalhou minuciosamente essas etapas nos arts. 158-A a 158-F do CPP: reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte.
Apesar do detalhamento das etapas, o legislador silenciou sobre os critérios objetivos para definir quando ocorre a quebra e quais as consequências jurídicas do descumprimento. Foi esse vazio que o STJ enfrentou.
Havia quem sustentasse que a violação da cadeia de custódia implicaria, de plano, inadmissibilidade ou nulidade da prova, atraindo as regras de exclusão da prova ilícita. O STJ preferiu posição diversa: as irregularidades devem ser avaliadas pelo magistrado em conjunto com todo o acervo da instrução, para verificar se a autenticidade e a integridade da prova ficaram demonstradas.
A consequência prática dessa opção é relevante: se, descontada a prova de confiabilidade comprometida, não restarem elementos capazes de sustentar a acusação, o resultado é a improcedência da pretensão punitiva e a absolvição do réu por insuficiência probatória, e não a anulação do processo.
Para a defesa, apontar falhas na cadeia de custódia continua sendo estratégia importante, mas o objetivo é minar a confiabilidade da prova, e não obter nulidade automática. Os tribunais examinam caso a caso o peso de cada irregularidade diante do conjunto probatório, como mostram as decisões recentes listadas abaixo.
“As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável.”
Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.
Quinta Turma · Rel. Ministro Messod Azulay Neto · j. 24/06/2026
Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Cadeia de custódia da prova. Drogas apreendidas. Necessidade de demonstração concreta de adulteração. Impossibilidade de revolvimento fático-probatório. Agravo desprovido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus .2. Fato relevante. Condenação pelo delito do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, após reforma de absolvição pelo Tribunal e…
Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 15/06/2026
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CADEIA DE CUSTÓDIA DE PROVA DIGITAL. REGISTROS EXTRAÍDOS DO SISTEMA SIAFEN. CONTROVÉRSIA QUE DIZ RESPEITO À CONFIABILIDADE DO ELEMENTO PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE CONFIABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE AUTOMÁTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO CONCRETA DE VÍCIO. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. recurso improvido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto cont…
j. 09/06/2026
Direito processual penal. Agravo regimental no agravo em recurso especial. Tráfico de drogas. Cadeia de custódia. Recebimento da denúncia. Justa causa. Súmula 7/STJ. Agravo IMprovido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial, em ação penal por suposta prática do art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.2. Fato relevante. Denúncia rejeitada em primeiro grau por ausência de…
j. 09/06/2026
Direito processual penal. Agravo regimental. Cadeia de custódia.Validade da prova. Necessidade de reexame fático-probatório (Súmula 7/STJ). Agravo IMprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial.2. Condenação pelo crime do art. 171, caput, do Código Penal, à pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial aberto, substituída por restritivas de direitos, além de 13 dias…
Quinta Turma · Rel. Ministro Ribeiro Dantas · j. 09/06/2026
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. PROVA DIGITAL EXTRAÍDA DE CELULARES. OPERAÇÃO CAPISTRUM. CADEIA DE CUSTÓDIA. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE AFIRMA TER HAVIDO DOCUMENTAÇÃO DA ARRECADAÇÃO, ARMAZENAMENTO E ANÁLISE DOS ELETRÔNICOS. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DOS PONTOS ESPECÍFICOS IMPUGNADOS PELA DEFESA. RESPONSÁVEL PELA EXTRAÇÃO, MÉTODO, DATA, INTEGRALIDADE DO CONTEÚDO TRANSFERIDO E ORIGEM DA ANÁLISE. ÔNUS DO ESTADO DE DEMONSTRAR A CONFIABILIDADE DA PROVA DIGITAL. DÉFICIT DE…
j. 27/05/2026
Direito processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Cadeia de custódia. Ausência de auto circunstanciado. Análise postergada para a sentença. Impossibilidade de exame aprofundado na via estreita do habeas corpus. Agravo regimental improvido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que indeferiu liminarmente habeas corpus impetrado em favor de pacientes que respondem a ação penal pela suposta prática do crime previsto no art. 334, ca…
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