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A Resolução 51/2010 do CNMP sobre interceptações telefônicas no Ministério Público é constitucional?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim. O STF, em julgamento noticiado no Informativo 817, declarou constitucional a Resolução 51/2010 do CNMP, que disciplina o pedido e a utilização das interceptações telefônicas no âmbito do Ministério Público. A norma não extrapola as competências do Conselho nem invade a competência privativa da União para legislar sobre processo.

Por que a resolução foi considerada válida

O STF entendeu que a Resolução 51/2010 se insere nas atribuições que a Constituição confere ao CNMP no art. 130-A, especialmente o poder de expedir atos regulamentares no âmbito de sua competência e de zelar pela atuação do Ministério Público. Ao disciplinar como os membros do MP pedem e utilizam interceptações telefônicas, o Conselho exerce função administrativa de controle, e não atividade legislativa.

Com isso, a Corte afastou as alegações de que a resolução violaria a competência privativa da União para legislar sobre direito processual (art. 22, I, da Constituição), o princípio da legalidade (art. 5º, II) e as atribuições da Polícia Judiciária (art. 144, § 1º, IV, e § 4º). A norma organiza a atuação interna do MP, sem criar regras processuais novas nem esvaziar funções da polícia.

O que isso significa na prática

Os procedimentos internos do Ministério Público relativos a interceptações telefônicas devem observar a Resolução 51/2010, que permanece válida como parâmetro de controle administrativo. Questionamentos pontuais sobre atos concretos praticados com base na resolução continuam possíveis, mas os tribunais examinam essas situações caso a caso, partindo da premissa de que a norma em si é constitucional.

O que dizem os tribunais

Informativo 1106 do STF · ADI 5.315

É constitucional — por não extrapolar as competências do Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP (CF/1988, art. 130-A, caput, § 2º, II), bem como não violar a competência privativa da União para legislar sobre direito processual (CF/1988, art. 22, I), o princípio da legalidade (CF/1988, art. 5º, II) e a competência da Polícia Judiciária (CF/1988, art. 144, § 1º, IV e § 4º) — a Resolução 51/2010 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização das interceptações telefônicas no âmbito do Ministério Público.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

ARE 1.575.509

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 25/02/2026

Direito Constitucional, Penal e Processual Penal. Agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Tráfico e associação para o tráfico. Artigos 35, caput; e 40, incisos III, IV, V e VI, ambos da Lei 11.343/2006. Interceptação telefônica em investigação no contexto de organização criminosa de alta complexidade que contava com membro do PCC. Lei 9.296/1996. I. Caso em exame: 1. Agravo regimental interposto da decisão que deu provimento ao recurso extraordinário para cass…

HC 264.000

Segunda Turma · Rel. Gilmar Mendes · j. 26/11/2025

Ementa: Direito processual penal. Agravo regimental no habeas corpus. Organização criminosa. Tráfico de drogas. Alegação de falta de fundamentação na decisão que autorizou a interceptação telefônica. Inocorrência. Agravo improvido. I. Caso em exame 1. Acusado de tráfico quer a cassação da decisão que autorizou a interceptação telefônica, porquanto ela não estaria fundamentada. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a decisão questionada padece…

MS 39.506

Segunda Turma · Rel. André Mendonça · j. 09/04/2025

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. ATO DO CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CNMP). PROMOTOR DE JUSTIÇA CONDENADO PELA TRÁTICA DE ATO ÍMPROBO QUANDO NO EXERCÍCIO DO CARGO ELETIVO DE PREFEITO MUNICIPAL. INCOMPATIBILIDADE COM O EXERCÍCIO DAS FUNÇÕES ELEITORAIS. ART. 1º, § 1º, INC. III, AL. “C”, DA RESOLUÇÃO Nº 30, DE 2008, DO CNMP. COMPETÊNCIA DO CNMO: ART. 130-A, § 2º, INC. II, DA CRFB. AUSÊNCIA DE INJURICIDADE OU IRRAZOABILIDADE MANIFESTA. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. I. Caso em …

HC 252.749

Primeira Turma · Rel. Cristiano Zanin · j. 04/04/2025

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. LEGISLAÇÃO ESPECIAL. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E TELEMÁTICA. PACIENTE INVESTIGADO PELA SUPOSTA PRÁTICA DE CRIMES GRAVES, COMO EXPLORAÇÃO DE JOGOS DE AZAR, PECULATO E CORRUPÇÃO, ENVOLVENDO POLICIAIS MILITARES E PARTICULARES. UTILIZAÇÃO DA BASE EMPÍRICA EXPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PEDIDO INICIAL DE INTERCEPTAÇÃO E NAS SUCESSIVAS PRORROGAÇÕES. TÉCNICA DA MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. IDONEIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IM…

HC 252.749

Primeira Turma · Rel. Cristiano Zanin · j. 31/03/2025

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. LEGISLAÇÃO ESPECIAL. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E TELEMÁTICA. PACIENTE INVESTIGADO PELA SUPOSTA PRÁTICA DE CRIMES GRAVES, COMO EXPLORAÇÃO DE JOGOS DE AZAR, PECULATO E CORRUPÇÃO, ENVOLVENDO POLICIAIS MILITARES E PARTICULARES. UTILIZAÇÃO DA BASE EMPÍRICA EXPOSTA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO NO PEDIDO INICIAL DE INTERCEPTAÇÃO E NAS SUCESSIVAS PRORROGAÇÕES. TÉCNICA DA MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. IDONEIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IM…

HC 241.908

Segunda Turma · Rel. Nunes Marques · j. 14/10/2024

EMENTA AGRAVO INTERNO EM HABEAS CORPUS. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. ILICITUDE. FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA. ART. 93, IX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPRESCINDIBILIDADE DA MEDIDA. ART. 2º, II, DA LEI N. 9.296/1996. INOBSERVÂNCIA. ORDEM CONCEDIDA. 1. É ilícita a autorização de interceptação telefônica sem a devida motivação, por afrontar o art. 93, IX, da Constituição Federal. 2. A imprescindibilidade da interceptação telefônica deve ser demostrada na decisão em que decretada a medida, …

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