JurisprudênciaIA

Roubo dentro de ônibus vazio justifica aumento da pena-base?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não, segundo o STJ. Embora o roubo em transporte coletivo em regra autorize a elevação da pena-base pela grande circulação de pessoas, o tribunal decidiu em informativo que, se o ônibus estava vazio e o crime foi praticado com simulacro de arma, a periculosidade é a normal do tipo e a exasperação é indevida.

A regra e a exceção reconhecida pelo STJ

Em regra, a jurisprudência do STJ admite que o roubo cometido dentro de transporte coletivo seja valorado negativamente como circunstância do crime, na primeira fase da dosimetria (art. 59 do Código Penal). O fundamento é objetivo: no transporte público costuma haver grande circulação de pessoas, o que eleva a periculosidade da ação.

O que o julgado esclarece é que esse fundamento não pode ser aplicado de forma automática. Se as circunstâncias concretas mostram que o ônibus estava vazio no momento do delito, a razão que justificaria o aumento simplesmente não existe, e a pena-base não pode ser elevada por esse motivo.

Simulacro de arma e periculosidade normal do tipo

No caso analisado, além do veículo vazio, o crime foi praticado com simulacro de arma de fogo. Para o STJ, esses dois elementos evidenciam que o modus operandi foi o normal da espécie, sem nada que desborde da periculosidade já embutida no próprio tipo penal do roubo.

A consequência prática é o afastamento da valoração negativa das circunstâncias do crime nessa vetorial do art. 59. A dosimetria, contudo, é sempre examinada à luz do caso concreto, e cabe à defesa demonstrar que a situação fática se amolda a esse cenário.

O que dizem os tribunais

Informativo 727 do STJ

Roubo. Circunstâncias do crime. Delito praticado no interior de ônibus vazio. Simulacro de arma de fogo. Periculosidade normal do tipo. Elevação da reprimenda. Inidoneidade. O roubo em transporte coletivo vazio é circunstância concreta que não justifica a elevação da pena-base. Com relação às circunstâncias do crime, para fins do art. 59 do Código Penal, tal vetorial deve abordar análise sobre os aspectos objetivos e subjetivos de natureza acidental que envolvem o delito. No caso, a valoração negativa considerou o fato do crime ter sido praticado no interior de transporte coletivo, local de grande circulação de pessoas. De fato, a prática de crimes de roubo dentro de transportes coletivos au…”Ler na íntegra

Roubo. Circunstâncias do crime. Delito praticado no interior de ônibus vazio. Simulacro de arma de fogo. Periculosidade normal do tipo. Elevação da reprimenda. Inidoneidade. O roubo em transporte coletivo vazio é circunstância concreta que não justifica a elevação da pena-base. Com relação às circunstâncias do crime, para fins do art. 59 do Código Penal, tal vetorial deve abordar análise sobre os aspectos objetivos e subjetivos de natureza acidental que envolvem o delito. No caso, a valoração negativa considerou o fato do crime ter sido praticado no interior de transporte coletivo, local de grande circulação de pessoas. De fato, a prática de crimes de roubo dentro de transportes coletivos autoriza, nos termos da abalizada jurisprudência desta Corte Superior, a elevação da pena-base por consistir, via de regra, em fundamento idôneo para considerar desfavorável circunstância judicial. Isso porque no transporte público há comumente grande circulação de pessoas, o que eleva a periculosidade da ação. Todavia, observa-se que as circunstâncias concretas do presente caso demonstram que a ação não desbordou da periculosidade própria do tipo. Conforme mencionado pela própria vítima, o ônibus estava vazio no momento do delito, o qual foi praticado com simulacro de arma de fogo. Tais circunstâncias concretas (ônibus vazio e uso de simulacro de arma de fogo) evidenciam que o modus operandi do delito foi normal à espécie, não se justificando a elevação da reprimenda. Portanto, de rigor o afastamento da valoração negativa das circunstâncias judiciais relativas as circunstâncias do crime.

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