JurisprudênciaIA

O contrato de união estável pode fixar regime de bens com efeito retroativo sem autorização judicial?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo julgado do STJ divulgado em informativo de jurisprudência, a escolha do regime de bens da união estável por contrato escrito produz efeitos apenas dali em diante (ex nunc), e são inválidas as cláusulas que estabeleçam retroatividade dos efeitos patrimoniais sem expressa autorização judicial, exigida pelo art. 1.639, § 2º, do Código Civil.

Efeitos ex nunc do contrato de convivência

Os companheiros podem eleger livremente o regime de bens da união estável por contrato escrito, mas essa escolha vale a partir da celebração do pacto, sem alcançar o período anterior da convivência. É a orientação consolidada do STJ reafirmada no julgado.

No caso concreto, as instâncias ordinárias haviam validado cláusula que estendia a separação total de bens retroativamente ao início da união, apenas porque prevista de forma expressa e sem vício de vontade. O STJ considerou essa solução contrária à sua jurisprudência.

A retroatividade exige autorização judicial

A alteração do regime de bens com efeitos sobre o passado é medida excepcional e depende de expressa autorização judicial, por aplicação do art. 1.639, § 2º, do Código Civil, que rege a modificação de regime no casamento. A simples vontade das partes no contrato, ainda que livre e espontânea, não basta.

A razão é protetiva: a retroatividade pode afetar direitos patrimoniais já formados durante a convivência, inclusive a presunção de esforço comum sobre bens adquiridos no período sem pacto.

O que isso significa na prática

Quem formaliza contrato de convivência depois de anos de união estável deve saber que o período anterior, em regra, continua regido pela comunhão parcial. Para dar efeito retroativo ao regime escolhido, é preciso buscar autorização judicial, e os tribunais examinam caso a caso a presença dos requisitos e a ausência de prejuízo a terceiros.

O que dizem os tribunais

Informativo 715 do STJ

A eleição do regime de bens da união estável por contrato escrito é dotada de efetividade ex nunc , sendo inválidas cláusulas que estabeleçam a retroatividade dos efeitos patrimoniais do pacto sem expressa autorização judicial, nos termos do art. 1.639, § 2º, do CC/2002.

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministra Daniela Teixeira · j. 30/06/2026

DIREITO DE FAMÍLIA. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL C/C PARTILHA DE BENS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. UNIÃO ESTÁVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DO ART. 1.723 DO CC. ESCRITURA PÚBLICA DE UNIÃO ESTÁVEL ENTRE O RECORRIDO E TERCEIRA PESSOA. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE UNIÕES SIMULTÂNEAS. NECESSIDADE DE REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Moura Ribeiro · j. 22/06/2026

PROCESSUAL CIVIL E DIREITO DE FAMÍLIA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA POST MORTEM DE UNIÃO ESTÁVEL. ESCRITURA PÚBLICA. FÉ PÚBLICA. REGIME DE BENS. COMUNHÃO PARCIAL (ART. 1.725 DO CC). CAUSAS SUSPENSIVAS (ART. 1.523, I, DO CC). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. ART. 1.641, II, DO CC. INOVAÇÃO RECURSAL SOBRE A RETROATIVIDADE DA LEI N. 12.344/2010. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS NA UNIÃO ESTÁVEL. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. …

Acórdão

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Acórdão

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