JurisprudênciaIA

Vazamento de dados pessoais gera dano moral automático?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo entendimento da Terceira Turma do STJ em informativo de jurisprudência, o vazamento de dados pessoais comuns não gera dano moral presumido: o titular precisa comprovar o prejuízo concreto decorrente da exposição. A conclusão poderia ser diferente se o vazamento envolvesse dados sensíveis, ligados à intimidade da pessoa, conforme o art. 5º, II, da LGPD.

Dados comuns e dados sensíveis não recebem o mesmo tratamento

O ponto central da decisão é a distinção entre categorias de dados. A LGPD lista expressamente quais dados são considerados sensíveis e, por isso, exigem tratamento diferenciado. Dados comuns, aqueles fornecidos em qualquer cadastro do dia a dia (nome, endereço, informações de identificação), não são acobertados por sigilo, e o simples conhecimento por terceiros não viola, por si só, o direito de personalidade do titular.

No caso analisado, uma pessoa idosa pedia indenização de concessionária de energia elétrica pelo vazamento de seus dados cadastrais. O STJ reconheceu que o vazamento é uma falha indesejável no tratamento de dados, mas concluiu que essa falha, isoladamente, não gera dano moral indenizável quando envolve apenas dados comuns.

O que o consumidor precisa provar

Como o dano moral não é presumido nessas hipóteses, cabe ao titular dos dados demonstrar o prejuízo efetivo que sofreu com a exposição das informações, como uso indevido em fraudes ou constrangimentos concretos. Sem essa prova, a tendência é a improcedência do pedido indenizatório.

A própria decisão ressalva que o cenário seria diferente diante de vazamento de dados sensíveis, que dizem respeito à intimidade da pessoa natural. Nesses casos, a análise da configuração do dano segue outros parâmetros, e os tribunais examinam as circunstâncias caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 766 do STJ

Vazamento de dados pessoais. Dados comuns e sensíveis. Dano moral presumido. Impossibilidade. O vazamento de dados pessoais não gera dano moral presumido. Trata-se, na origem, de ação de indenização ajuizada por pessoa idosa contra concessionária de energia elétrica pleiteando indenização por danos morais decorrentes do vazamento e acesso, por terceiros, de dados pessoais. O art. 5º, II, da Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD dispõe de forma expressa quais dados podem ser considerados sensíveis e, devido a essa condição, exigir tratamento diferenciado, previsto em artigos específicos. Os dados de natureza comum, pessoais mas não íntimos, passíveis apenas de identificação da pessoa natural …”Ler na íntegra

Vazamento de dados pessoais. Dados comuns e sensíveis. Dano moral presumido. Impossibilidade. O vazamento de dados pessoais não gera dano moral presumido. Trata-se, na origem, de ação de indenização ajuizada por pessoa idosa contra concessionária de energia elétrica pleiteando indenização por danos morais decorrentes do vazamento e acesso, por terceiros, de dados pessoais. O art. 5º, II, da Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD dispõe de forma expressa quais dados podem ser considerados sensíveis e, devido a essa condição, exigir tratamento diferenciado, previsto em artigos específicos. Os dados de natureza comum, pessoais mas não íntimos, passíveis apenas de identificação da pessoa natural não podem ser classificados como sensíveis. Os dados objeto da lide são aqueles que se fornece em qualquer cadastro, inclusive nos sites consultados no dia a dia, não sendo, portanto, acobertados por sigilo, e o conhecimento por terceiro em nada violaria o direito de personalidade da recorrida. O vazamento de dados pessoais, a despeito de se tratar de falha indesejável no tratamento de dados de pessoa natural por pessoa jurídica, não tem o condão, por si só, de gerar dano moral indenizável. Ou seja, o dano moral não é presumido, sendo necessário que o titular dos dados comprove eventual dano decorrente da exposição dessas informações. Diferente seria se, de fato, estivéssemos diante de vazamento de dados sensíveis, que dizem respeito à intimidade da pessoa natural.

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

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