JurisprudênciaIA

Ato infracional cometido na adolescência pode afastar o tráfico privilegiado?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, em circunstâncias excepcionais. A Terceira Seção do STJ, em entendimento divulgado em informativo, admite que atos infracionais praticados na adolescência afastem a minorante do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei de Drogas), desde que haja fundamentação idônea, gravidade documentada dos atos pretéritos e razoável proximidade temporal com o crime apurado.

O fundamento: dedicação a atividades criminosas

A minorante do tráfico privilegiado foi pensada para o agente iniciante, que não faz do crime sua atividade habitual. Por isso, o STJ entendeu que o histórico infracional pode ser usado não como antecedente penal ou reincidência (o que é vedado), mas como elemento para demonstrar a dedicação do réu a atividades criminosas, terceiro requisito legal do benefício.

Na visão da Corte, seria contrário à individualização da pena e à isonomia tratar da mesma forma o jovem sem qualquer registro e aquele que, na adolescência, cometeu reiterados atos infracionais graves ou equivalentes ao tráfico de drogas.

Os limites impostos pelo STJ

Não é qualquer ato infracional que afasta o benefício. A decisão exige circunstâncias excepcionais, com fundamentação concreta: os atos pretéritos devem ser graves, estar devidamente documentados nos autos e guardar razoável proximidade temporal com o crime em apuração.

Na prática, registros infracionais isolados, antigos ou de pouca gravidade tendem a não justificar a negativa da minorante. Os tribunais examinam caso a caso se a fundamentação da sentença atende a esses parâmetros.

O que dizem os tribunais

Informativo 712 do STJ · DJe 29

O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei n. 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 17/06/2026

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Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministra Maria Marluce Caldas · j. 15/06/2026

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Acórdão

j. 09/06/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. TRÁFICO PRIVILEGIADO. NÃO INCIDÊNCIA DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO. DEDICAÇÃO À ATIVIDADE CRIMINOSA. ELEMENTOS CONCRETOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO EM HABEAS CORPUS. MANUTENÇÃO DO REGIME PRISIONAL E INVIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA. RECURSO DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática do Presidente do Superior Tribunal de Just…

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Acórdão

Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 13/05/2026

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. TRÁFICO PRIVILEGIADO. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.I. CASO EM EXAME1. O recurso. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática proferida em habeas corpus que não conheceu do writ, por configurado sucedâneo de recurso próprio, mas concedeu a ordem de ofício para fixar o regime inicial semiaberto para o cumprimento da pena privat…

Acórdão

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DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS. TRÁFICO PRIVILEGIADO DO ART. 33, § 4º, DA LEI 11.343/2006. AFASTAMENTO PELA QUANTIDADE E PELO MODUS OPERANDI. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. Caso em exame 1. Agravo regimental contra decisão que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial, no qual se postulava o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006.2. Transporte de vultosa quantidade de dro…

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