Informativo 859 do STJ · REsp 2.000.918
“A prática de ato libidinoso com pessoa em estado de sono configura estupro de vulnerável, não sendo possível a desclassificação para importunação sexual.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
É estupro de vulnerável. Para o STJ, em entendimento divulgado em informativo de jurisprudência, praticar ato libidinoso com pessoa em estado de sono configura o crime do art. 217-A, § 1º, do Código Penal, sem possibilidade de desclassificação para importunação sexual, porque a vítima adormecida não pode oferecer resistência.
O tribunal de origem havia desclassificado a conduta (passar a mão na genitália da vítima enquanto ela dormia) para importunação sexual, ao argumento de que a vítima estava acordando e sua percepção poderia estar alterada, sem prova da incapacidade de resistência. O STJ reformou esse entendimento: quem dorme não pode consentir nem resistir, o que se enquadra na hipótese de vulnerabilidade do art. 217-A, § 1º, do CP.
A distinção é relevante porque a importunação sexual (art. 215-A) pressupõe ato praticado contra alguém que, embora sem consentir, tem capacidade de reação. Contra pessoa que não pode oferecer resistência, o ato libidinoso para satisfação da lascívia configura o crime mais grave.
O STJ tratou a hipótese como de presunção absoluta de violência: comprovado que a vítima dormia no momento do ato, não cabe discutir se ela poderia ter reagido. Com isso, foi restabelecida a condenação por estupro de vulnerável no caso concreto.
Na prática, decisões que desclassificam esse tipo de conduta para importunação sexual tendem a ser revertidas. A definição, contudo, depende da prova do estado de sono ou de outra causa de incapacidade de resistência, que os tribunais examinam caso a caso.
“A prática de ato libidinoso com pessoa em estado de sono configura estupro de vulnerável, não sendo possível a desclassificação para importunação sexual.”
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