Informativo 834 do STJ
“A ausência de formulação de quesito obrigatório no Tribunal do Júri acarreta nulidade absoluta do julgamento, a qual não se submete aos efeitos da preclusão, mesmo que não tenha sido suscitada na ata de julgamento.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Segundo o entendimento do STJ divulgado em informativo, a ausência de quesito obrigatório no Tribunal do Júri gera nulidade absoluta do julgamento, e esse vício não se sujeita à preclusão: a nulidade pode ser reconhecida mesmo que ninguém a tenha registrado na ata da sessão, na linha da Súmula 156 do STF.
A quesitação do júri segue uma ordem legal: primeiro a materialidade, depois a autoria e, em seguida, o quesito genérico de absolvição. No caso examinado, o juiz presidente formulou pergunta sobre o local do fato como se fosse desdobramento da materialidade e, diante da resposta negativa, encerrou o julgamento e absolveu os acusados sem que os jurados votassem a autoria nem a absolvição propriamente dita.
O tribunal entendeu que a pergunta sobre o local dizia respeito, na verdade, à tese de excludente de ilicitude, e não à materialidade. Deixar de formular quesitos obrigatórios impede a deliberação plena do conselho de sentença e usurpa a competência constitucional do júri, o que configura nulidade absoluta, e não simples inversão de ordem.
Como regra, nulidades devem ser arguidas no momento oportuno, sob pena de preclusão. Aqui, porém, o STJ afastou essa lógica: por atingir a ordem pública e a própria soberania dos veredictos, a ausência de quesito obrigatório pode ser reconhecida ainda que a parte não tenha consignado protesto na ata de julgamento. A discussão sobre preclusão ou nulidade de algibeira fica superada nessa hipótese.
Advogados e membros do Ministério Público devem conferir se todos os quesitos exigidos pelo art. 483 do CPP foram formulados na ordem legal. Constatada a omissão de quesito obrigatório, o julgamento tende a ser anulado, e os tribunais examinam caso a caso se a pergunta suprimida era de fato obrigatória ou mero desdobramento de outra.
“A ausência de formulação de quesito obrigatório no Tribunal do Júri acarreta nulidade absoluta do julgamento, a qual não se submete aos efeitos da preclusão, mesmo que não tenha sido suscitada na ata de julgamento.”
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Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 17/06/2026
Direito processual penal. Tribunal do Júri. Quesitação. Homicídio privilegiado. Relevante valor moral e violenta emoção. mesma circunstância fática. Único quesito. redação clara. Nulidade inexistente. Óbice das Súmulas N. 283/STF e N. 7/STJ. Dissídio não comprovado. Agravo desprovido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheceu de recurso especial.2. Defesa alega nulidade absoluta d…
Quinta Turma · Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik · j. 17/06/2026
Direito processual penal. Agravo regimental. Tribunal do Júri.Quesitação. Preclusão. Nulidade não arguida em plenário. Homicídio qualificado tentado. Desclassificação para lesões corporais.Incompatibilidade lógica. Agravo desprovido.I. Caso em exame1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu de recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568/STJ, negou-lhe provimento.2. Fato relevante. O agravante sustenta nulidade absoluta do julgam…
Sexta Turma · Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz · j. 05/05/2026
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUNAL DO JÚRI. QUESITAÇÃO. INVERSÃO DA ORDEM DE QUESITAÇÃO. DISTINÇÃO EM RELAÇÃO À AUSÊNCIA DE QUESITO OBRIGATÓRIO. ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO INTERNA NO ACÓRDÃO EMBARGADO. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRETENSÃO DE REAPRECIAÇÃO DO MÉRITO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PRECLUSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.1. Consoante o disposto no art. 619 do Código de Processo Penal, a oposição de embargos de declaração enseja, em sí…
j. 05/05/2026
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Sexta Turma · Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro · j. 15/04/2026
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. TRIBUNAL DO JÚRI. QUESITO DE DESCLASSIFICAÇÃO. PREJUDICIALIDADE PELO RECONHECIMENTO DO DOLO. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INVIABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por José Claudio de Freitas Sousa contra decisão monocrática que denegou a ordem de habeas corpus. 2. O agravante sustenta a ocorrência de nulidade absoluta por ausênci…
Sexta Turma · Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior · j. 25/02/2026
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. TRIBUNAL DO JÚRI. ALEGAÇÃO DE NULIDADE ABSOLUTA POR AUSÊNCIA DE QUESITO OBRIGATÓRIO. QUESITO ABSOLUTÓRIO GENÉRICO DEVIDAMENTE FORMULADO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. RECURSO DE APELAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM MOMENTO OPORTUNO. PRECLUSÃO. NULIDADE DE ALGIBEIRA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO CONCRETO. Agravo …
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