Tema Repetitivo 646 (STJ) · REsp 1362524/MG
“É típica a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial, ainda que em situação de alegada autodefesa (art. 307 do CP).”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. O Tema 646 do STJ fixou que é típica a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial, mesmo quando o agente alega ter agido em autodefesa. A tentativa de esconder o próprio nome para escapar de responsabilização não descaracteriza o crime do art. 307 do Código Penal.
A discussão girava em torno de saber se quem mente sobre a própria identidade à polícia, para não ser preso ou não ser vinculado a antecedentes, estaria exercendo autodefesa amparada pela garantia de não produzir prova contra si mesmo. O STJ respondeu que não: a conduta segue sendo crime de falsa identidade, previsto no art. 307 do Código Penal.
A tese vale ainda que a mentira ocorra em situação de alegada autodefesa. Ou seja, o contexto de abordagem, prisão ou investigação não transforma a falsa identidade em conduta atípica.
O direito ao silêncio protege quem se recusa a responder, mas não autoriza atribuir-se identidade falsa perante a autoridade policial. Quem se identifica com nome de terceiro ou dados inventados pode responder pelo crime, além do delito que motivou a abordagem.
A configuração concreta do crime, como a prova de que houve efetiva atribuição de identidade falsa, é examinada caso a caso pelos tribunais, conforme as circunstâncias da abordagem e da identificação.
“É típica a conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial, ainda que em situação de alegada autodefesa (art. 307 do CP).”
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