Informativo 816 do STJ · DJe 29
“A negativa de banca examinadora de concurso público em atribuir pontuação à resposta formulada de acordo com precedente obrigatório do STJ constitui flagrante ilegalidade.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Não. Segundo entendimento divulgado em informativo do STJ, a negativa da banca examinadora em pontuar resposta formulada de acordo com precedente obrigatório do STJ constitui flagrante ilegalidade, o que autoriza a revisão judicial do ato. A regra geral de que o Judiciário não substitui a banca cede diante dessa ilegalidade evidente.
Como regra, cabe à Administração escolher os métodos e critérios de avaliação dos candidatos, e o STF fixou no Tema 485 que o Judiciário não pode substituir a banca para reexaminar conteúdo de questões e critérios de correção, salvo ilegalidade ou inconstitucionalidade. O entendimento do STJ situa a recusa de pontuação a resposta alinhada a precedente obrigatório exatamente nessa exceção: trata-se de ilegalidade flagrante, passível de correção judicial.
O raciocínio se reforça quando o edital inclui expressamente a jurisprudência e as súmulas dos tribunais superiores entre os objetos de avaliação. Nesse cenário, negar pontos a quem seguiu o entendimento consolidado do STJ viola o próprio edital, que vincula tanto os candidatos quanto a Administração.
O STJ também apoiou a conclusão no art. 30 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que impõe às autoridades públicas o dever de atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas. Recusar, em matéria de lei federal, a interpretação sedimentada pelo tribunal encarregado de uniformizá-la contraria a segurança jurídica e a boa-fé administrativa.
O candidato prejudicado por correção que contraria precedente obrigatório do STJ pode buscar a revisão judicial da pontuação, mas a intervenção continua excepcional: é preciso demonstrar que a resposta estava efetivamente em consonância com o precedente e que a recusa configurou ilegalidade ou violação do edital. Os tribunais examinam essas circunstâncias caso a caso.
“A negativa de banca examinadora de concurso público em atribuir pontuação à resposta formulada de acordo com precedente obrigatório do STJ constitui flagrante ilegalidade.”
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