JurisprudênciaIA

Banca de concurso pode negar pontos a resposta baseada em precedente obrigatório do STJ?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo entendimento divulgado em informativo do STJ, a negativa da banca examinadora em pontuar resposta formulada de acordo com precedente obrigatório do STJ constitui flagrante ilegalidade, o que autoriza a revisão judicial do ato. A regra geral de que o Judiciário não substitui a banca cede diante dessa ilegalidade evidente.

A regra geral e a exceção reconhecida

Como regra, cabe à Administração escolher os métodos e critérios de avaliação dos candidatos, e o STF fixou no Tema 485 que o Judiciário não pode substituir a banca para reexaminar conteúdo de questões e critérios de correção, salvo ilegalidade ou inconstitucionalidade. O entendimento do STJ situa a recusa de pontuação a resposta alinhada a precedente obrigatório exatamente nessa exceção: trata-se de ilegalidade flagrante, passível de correção judicial.

O raciocínio se reforça quando o edital inclui expressamente a jurisprudência e as súmulas dos tribunais superiores entre os objetos de avaliação. Nesse cenário, negar pontos a quem seguiu o entendimento consolidado do STJ viola o próprio edital, que vincula tanto os candidatos quanto a Administração.

Segurança jurídica como fundamento

O STJ também apoiou a conclusão no art. 30 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que impõe às autoridades públicas o dever de atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas. Recusar, em matéria de lei federal, a interpretação sedimentada pelo tribunal encarregado de uniformizá-la contraria a segurança jurídica e a boa-fé administrativa.

O que isso significa na prática

O candidato prejudicado por correção que contraria precedente obrigatório do STJ pode buscar a revisão judicial da pontuação, mas a intervenção continua excepcional: é preciso demonstrar que a resposta estava efetivamente em consonância com o precedente e que a recusa configurou ilegalidade ou violação do edital. Os tribunais examinam essas circunstâncias caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 816 do STJ · DJe 29

“A negativa de banca examinadora de concurso público em atribuir pontuação à resposta formulada de acordo com precedente obrigatório do STJ constitui flagrante ilegalidade.”

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. TEODORO SILVA SANTOS · j. 09/09/2026

ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CARGO DE AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE (ACS). EDITAL N. 02/2023. INDEFERIMENTO DE RECURSO ADMINISTRATIVO. DESCLASSIFICAÇÃO DOS IMPETRANTES. FLAGRANTE ILEGALIDADE. CONTROLE DE LEGALIDADE PELO PODER JUDICIÁRIO. PROVA OBJETIVA DE LÍNGUA PORTUGUESA. QUESTÃO COM ERRO GRAMATICAL OBJETIVO. SUBSTITUIÇÃO DE "EXISTIAM" POR "HÁ". INOBSERVÂNCIA DA CORRELAÇÃO TEMPORAL. FORMA ADEQUADA: "HAVIA". AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO…

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. AFRÂNIO VILELA · j. 08/09/2026

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. DEFENSOR PÚBLICO SUBSTITUTO. PROVA DISCURSIVA. ESPELHO DE CORREÇÃO COM NOTAS ESCALONADAS. RECURSO ADMINISTRATIVO. FUNDAMENTAÇÃO DA BANCA. MANUTENÇÃO DA NOTA ZERO. CONTRADIÇÃO PATENTE ENTRE MOTIVAÇÃO E CONCLUSÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. ART. 50, § 1º, DA LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO ESTADUAL. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA MOTIVAÇÃO E DA VINCULAÇÃO AO EDITAL E AO…

Acórdão

T1 - PRIMEIRA TURMA · Rel. BENEDITO GONÇALVES · j. 24/08/2026

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO COM DEFICIÊNCIA VISUAL. PROVA OBJETIVA EM FONTE AMPLIADA. VÍCIOS MATERIAIS NA APLICAÇÃO DA PROVA. AUSÊNCIA DE QUESTÕES NO CADERNO E INEXISTÊNCIA DE CADERNO RESERVA EM FORMATO ACESSÍVEL. COMPROMETIMENTO DAS CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO DA PROVA. CONTROLE JUDICIAL DE LEGALIDADE. INAPLICABILIDADE DO TEMA 485/STF. MERA ANÁLISE ARITMÉTICA POSTERIOR DA PONTUAÇÃO INSUFICIENTE…

Acórdão

Rel. AFRÂNIO VILELA · j. 12/08/2026

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. SOLDADO DA POLÍCIA MILITAR. ESTADO DO RIO DE JANEIRO. ANULAÇÃO JUDICIAL DE QUESTÕES DE PROVA OBJETIVA EM PROCESSO INDIVIDUAL. ATRIBUIÇÃO DE PONTOS A TODOS OS CANDIDATOS. IMPOSSIBILIDADE. ALCANCE DO ITEM 17.8 DO EDITAL. COISA JULGADA. LIMITAÇÃO SUBJETIVA. PRECEDENTES. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.1.A questão controvertida, objeto do recurso ordinário, refere-se à aplicação do it…

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. FRANCISCO FALCÃO · j. 01/07/2026

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. ANULAÇÃO DE QUESTÃO DISCURSIVA. REPROVAÇÃO SUPERVENIENTE EM ETAPA POSTERIOR E ELIMINATÓRIA (PROVA ORAL). PERDA DE OBJETO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. MÉRITO. CONTROLE JURISDICIONAL DE CRITÉRIOS DE CORREÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.I - Na origem, trata-se de mandado de segurança contra ato da Comissã…

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. TEODORO SILVA SANTOS · j. 13/05/2026

ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS E TÍTULOS PARA INGRESSO NA CARREIRA DA MAGISTRATURA ESTADUAL. PROVA ESCRITA. ESPELHO DE CORREÇÃO DAS SENTENÇAS. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO A DIREITO LÍQUIDO E CERTO. RECURSO ORDINÁRIO DESPROVIDO.1. Na origem, trata-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado para que seja declarada a nulidade das provas de sentença cível e criminal, atribuindo aos …

Pesquise a jurisprudência completa

Busque decisões sobre este e outros temas em dezenas de tribunais brasileiros.

Pesquisar jurisprudência

Perguntas relacionadas

Como elaboramos esta resposta

As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.