JurisprudênciaIA

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica pode aplicar sanções por delegação do poder de polícia?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ, em entendimento divulgado em informativo de jurisprudência, concluiu que não é possível delegar a função sancionadora do poder de polícia à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), por se tratar de associação privada que não integra a Administração Pública, sem lei formal que autorize a aplicação direta de multas.

A evolução do entendimento sobre delegação do poder de polícia

O STF, na ADI 1.717, havia assentado a indelegabilidade de atividade típica de Estado, incluindo poder de polícia, a entidades privadas. O STJ, na mesma linha, admitia a delegação apenas das fases de consentimento e fiscalização do chamado ciclo de polícia, reservando legislação e sanção ao Poder Público.

No Tema 532, o STF reviu parcialmente essa posição e passou a admitir a delegação do poder de polícia, por lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração indireta, de capital majoritariamente público, que prestem exclusivamente serviço público próprio do Estado em regime não concorrencial.

Por que a CCEE não se enquadra na exceção

A CCEE é associação privada que não integra a Administração Pública, seus integrantes não gozam de estabilidade e, embora seja associação civil sem fins lucrativos, é composta essencialmente por concessionárias, permissionárias e autorizatárias que visam o lucro. Não há, portanto, o enquadramento exigido pelo precedente do STF.

Além disso, falta lei formal autorizando direta e expressamente que a CCEE aplique multas a particulares e as cobre por conta própria: essa atribuição consta apenas do Decreto n. 5.177/2004 combinado com a Resolução Normativa ANEEL n. 109, o que não supre a exigência de reserva legal.

O que isso significa na prática

Sanções aplicadas diretamente pela CCEE no mercado de energia podem ser questionadas judicialmente por vício de competência, já que a função punitiva permanece com o Poder Público. A validade de cada penalidade, porém, depende do exame do caso concreto, e as decisões recentes mostram como o entendimento vem sendo aplicado.

O que dizem os tribunais

Informativo 790 do STJ

Não é possível delegar a função sancionadora do exercício do poder de polícia à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE por ser uma associação privada que não integra a Administração Pública.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

S1 - PRIMEIRA SEÇÃO · Rel. GURGEL DE FARIA · j. 12/08/2026

PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. NATUREZA JURÍDICA. ADI 1.717-DF. EQUIPARAÇÃO A AUTARQUIA FEDERAL.1. Os conselhos de fiscalização profissional exercem atividade típica de Estado - decorrente da delegação do poder de polícia administrativa -, razão pela qual o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI n. 1.717-DF, declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n. 9.649/1998 que lhes atribuíam personalidade jurídic…

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. FRANCISCO FALCÃO · j. 01/07/2026

DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DE DELEGATÁRIO DE SERVENTIA EXTRAJUDICIAL. CONTROLE JUDICIAL RESTRITO À LEGALIDADE E REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. PERDA DA DELEGAÇÃO POR CONTA DA PRÁTICA DE DEZENAS DE FALTAS FUNCIONAIS, REFERENTES À VULNERAÇÃO DE MÚLTIPLOS DISPOSITIVOS DISCIPLINARES. INEXISTÊNCIA DE NULIDADES EVIDENTES OU DESPROPORCIONALIDADE MANIFESTA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.I. CASO E…

Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. TEODORO SILVA SANTOS · j. 20/05/2026

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T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. AFRÂNIO VILELA · j. 20/05/2026

ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS. SEGURO DE RESPONSABILIDADE CIVIL. APREENSÃO DE VEÍCULO. LIBERAÇÃO CONDICIONADA AO PAGAMENTO DE TRANSBORDO E MULTA. ILEGALIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. Violação do princípio da legalidade administrativa e da separação de poderes por normas regulamentares (Decreto 2.521/1998 e Resolução 233/2003 da ANTT) que instituem sanção ou obrigação não prevista na lei de regência.2. Inaplicabi…

Acórdão

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As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.