JurisprudênciaIA

É abusiva a cláusula que dispensa pagamento por serviços prestados em caso de rescisão antecipada de contrato paritário?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Em regra, não. Conforme entendimento do STJ divulgado em informativo de jurisprudência, a cláusula que desobriga uma das partes de remunerar a outra por serviços prestados em caso de rescisão antecipada não viola a boa-fé nem a função social do contrato quando havia equilíbrio entre os contratantes no momento da estipulação, como ocorre nos contratos paritários.

Liberdade de contratar em negócios paritários

A Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019) garante que os negócios jurídicos empresariais paritários sejam objeto de livre estipulação entre as partes, aplicando-se as regras de direito empresarial apenas subsidiariamente, ressalvadas as normas de ordem pública. Isso reflete a premissa de que contratos entre profissionais do setor empresarial são negociados com paridade de informação e poder.

Por isso, o controle judicial de cláusulas supostamente abusivas em contratos empresariais é mais restrito do que em outras áreas do Direito Privado, como as relações de consumo. A intervenção do Judiciário nesses ajustes é excepcional.

Os limites: boa-fé e função social

A autonomia privada não é absoluta: encontra limites na função social do contrato, na probidade e na boa-fé objetiva. Para aferir se uma cláusula é nula por violar esses princípios, examina-se se havia equilíbrio e liberdade entre as partes na contratação, além da natureza do contrato e das expectativas legítimas de cada contratante.

Quando o contrato de prestação de serviços é firmado entre particulares em pé de igualdade, sem legislação específica que confira tutela diferenciada à relação, prevalece a liberdade contratual do art. 421 do Código Civil, e a cláusula que afasta cobrança ou indenização na ruptura antecipada tende a ser mantida.

O que isso significa na prática

Quem pretende invalidar cláusula desse tipo precisa demonstrar desequilíbrio ou vício na formação do contrato, e não apenas o resultado desfavorável da rescisão. Os tribunais examinam caso a caso a paridade entre as partes e o contexto da negociação antes de reconhecer abusividade.

O que dizem os tribunais

Informativo 754 do STJ

A cláusula que desobriga uma das partes a remunerar a outra por serviços prestados na hipótese de rescisão contratual não viola a boa-fé e a função social do contrato quando presente equilíbrio entre as partes contratantes no momento da estipulação.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

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AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C PEDIDO DE RESSARCIMENTO MATERIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA Nº 211/STJ. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. DESISTÊNCIA DO PROMITENTE COMPRADOR. VALORES PAGOS. DEVOLUÇÃO DE FORMA PARCELADA. ABUSIVIDADE. ACÓRDÃO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. BOA-FÉ. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. USOS DO LUGAR. INTERPRETAÇÃO CONTRATUAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 5/STJ. SÚMULA Nº 7/STJ.1. A falta de prequestion…

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