JurisprudênciaIA

A coisa julgada impede nova ação de investigação de paternidade sem DNA?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Não, em situação específica. O STF fixou no Tema 392 que é possível repropor ação de investigação de paternidade quando a anterior foi julgada improcedente por falta de provas, porque a parte não tinha condições econômicas de custear o DNA e o Estado não arcou com o exame. Nesses casos, a coisa julgada é relativizada.

Quando a coisa julgada cede

A tese trata de um cenário delimitado: a primeira ação, idêntica e entre as mesmas partes, foi rejeitada por falta de provas porque o exame de DNA não foi realizado, seja pela hipossuficiência econômica do interessado, seja pela omissão do Estado em custear a prova. Nessa hipótese, admite-se nova ação para que a questão seja decidida com a prova genética.

O fundamento é que o DNA fornece segurança quase absoluta sobre o vínculo biológico. Uma sentença que negou a paternidade sem essa prova não resolveu de fato a controvérsia, e impedir novo exame sacrificaria o direito à identidade em nome de uma certeza que nunca existiu.

Os limites da relativização

A tese não autoriza reabrir qualquer investigação de paternidade já julgada. Ela alcança os processos em que o vínculo genético não pôde ser efetivamente apurado por ausência do exame de DNA. Ações decididas com base em prova genética conclusiva, ou improcedentes por outros fundamentos, permanecem em princípio protegidas pela coisa julgada.

A verificação de que a demanda anterior se encaixa nas condições da tese, como a improcedência por falta de provas e a impossibilidade econômica de realizar o exame, é feita caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Tema 392 da Repercussão Geral (STF) · RE 363.889

I - É possível a repropositura de ação de investigação de paternidade, quando anterior demanda idêntica, entre as mesmas partes, foi julgada improcedente, por falta de provas, em razão da parte interessada não dispor de condições econômicas para realizar o exame de DNA e o Estado não ter custeado a produção dessa prova; II - Deve ser relativizada a coisa julgada estabelecida em ações de investigação de paternidade em que não foi possível determinar-se a efetiva existência de vínculo genético a unir as partes, em decorrência da não realização do exame de DNA, meio de prova que pode fornecer segurança quase absoluta quanto à existência de tal vínculo.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

RMS 40.583

Segunda Turma · Rel. André Mendonça · j. 16/03/2026

Ementa: Direito Constitucional e Administrativo. Agravo Regimental em Recurso Ordinário em Mandado de Segurança. Anistia política. Reparação econômica retroativa. Coisa julgada material. Identidade de partes, causa de pedir e pedido. Tema RG nº 394. Inviabilidade de relativização da coisa julgada por mandado de segurança. Decadência. Prazo de 120 dias. Ausência de relação de trato continuado. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão …

ARE 1.579.340

Tribunal Pleno · Rel. Edson Fachin · j. 18/02/2026

Ementa: Agravo Regimental em recurso extraordinário com agravo. Direito Civil e Processual Civil. Investigação de paternidade. Exame de DNA. Não comparecimento reiterado. Presunção de paternidade. Repercussão geral. Deficiência na fundamentação. I. Caso em exame 1. Agravo regimental contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário com agravo, diante de deficiência na fundamentação da repercussão geral. II. Questão em discussão 2. Saber se é possível superar os óbi…

RE 1.478.651

Primeira Turma · Rel. Flávio Dino · j. 13/10/2025

EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. EMBARGOS ACOLHIDOS EM PARTE, COM EFEITOS INFRINGENTES. 1. O acórdão embargado, ao dar provimento ao Recurso Extraordinário do Estado do Espírito Santo, aplicou a consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a relativização da coisa julgada em casos da Lei da T…

RE 1.443.597

Tribunal Pleno · Rel. Flávio Dino · j. 06/10/2025

EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PRECATÓRIO DA TRIMESTRALIDADE. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. SÚMULA VINCULANTE 42. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO COM BASE NO PROVEITO ECONÔMICO. VALOR EXORBITANTE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO POR EQUIDADE (ART. 85, § 8º, CPC). FUNÇÃO SOCIAL DE ASSOCIAÇÕES E SINDICATOS. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Mantida a orientação j…

RE 1.347.464

Primeira Turma · Rel. Cristiano Zanin · j. 25/08/2025

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. REAJUSTE DE VENCIMENTOS. VINCULAÇÃO AO ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR — IPC. LEI ESTADUAL 3.935/1987 (TRIMESTRALIDADE). INCONSTITUCIONALIDADE. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso extraordinário interposto pelo Estado do Espírito Santo contra acórdão que manteve a condenação ao pagamento de dife…

RCL 78.554

Segunda Turma · Rel. Edson Fachin · j. 06/08/2025

EMENTA: RECLAMAÇÃO. ADPF 501. APLICAÇÃO A ACORDO JUDICIAL SUPOSTAMENTE EIVADO DE VÍCIO. RELATIVIZAÇÃO DE COISA JULGADA. INVIABILIDADE. INTRANSCENDÊNCIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. AUSÊNCIA DE ADERÊNCIA ESTRITA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - CASO EM EXAME 1. Ato reclamado que não relativizou coisa julgada de acordo judicial supostamente eivado em vício, não obstante o julgamento da ADPF 501, que versa sobre a inconstitucionalidade da Súmula 450 do TST, referente a atraso em…

Pesquise a jurisprudência completa

Busque decisões sobre este e outros temas em dezenas de tribunais brasileiros.

Pesquisar jurisprudência

Perguntas relacionadas

Como elaboramos esta resposta

As citações são conferidas contra a nossa base de jurisprudência antes da publicação, e a lista de decisões recentes é gerada automaticamente a partir dela. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico; para um caso concreto, procure um advogado.