JurisprudênciaIA

Confissão de dívida assinada pelo devedor em contrato de factoring é válida?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Para o STJ, é inválido o instrumento de confissão de dívida cuja origem são valores cedidos em contrato de factoring, ainda que assinado pelo devedor e por duas testemunhas com força executiva. Como a faturizadora assume o risco de inadimplência dos títulos e não tem direito de regresso, a confissão de dívida não pode servir para contornar essa vedação.

O risco é da essência do factoring

No fomento mercantil, a faturizadora compra os direitos creditórios da faturizada pagando antecipadamente valor inferior ao montante adquirido. Essa operação embute a assunção do risco de inadimplência: a cessão se dá em caráter pro soluto, e a faturizada responde apenas pela existência do crédito no momento da cessão, não pela solvência do devedor.

Por isso o STJ considera nulas cláusulas de recompra de créditos vencidos e de responsabilização da faturizada pela solvência dos títulos, e também inválidas notas promissórias emitidas para garantir essa solvência, inclusive fianças e avais apostos nessas cártulas.

Por que a confissão de dívida não salva a cobrança

Ainda que a confissão de dívida assinada pelo devedor e duas testemunhas seja título executivo extrajudicial (art. 784, III, do CPC), a origem do débito é uma dívida sem direito de regresso. Admitir sua exigibilidade subverteria a lógica do fomento mercantil, permitindo que a faturizadora transferisse de volta o risco que comprou.

O STJ afasta expressamente o argumento da autonomia da vontade: as partes não podem instrumentalizar um título executivo, sob nova roupagem, para burlar o entendimento consolidado sobre a ausência de regresso no factoring.

O que isso significa na prática

Faturizadas cobradas com base em confissões de dívida ligadas a operações de factoring têm defesa consistente na jurisprudência do STJ. A análise, contudo, passa por demonstrar que a origem do débito é mesmo a cessão de créditos do fomento mercantil, o que os tribunais examinam caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 807 do STJ

É inválido o instrumento de confissão de dívida cuja origem decorre de valores cedidos em contrato de fomento mercantil ( factoring ), ainda que o referido instrumento de confissão, assinado pelo devedor e duas testemunhas, tenha força executiva.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA · j. 30/06/2026

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Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA · j. 30/06/2026

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL E EMPRESARIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRATO DE FOMENTO MERCANTIL (FACTORING). NOTA PROMISSÓRIA E AVAL DADOS EM GARANTIA DA SOLVÊNCIA DAS DUPLICATAS FATURIZADAS. NULIDADE. RESPONSABILIDADE PELA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AÇÃO DE REGRESSO PRÓPRIA. INADEQUAÇÃO DA VIA EXECUTIVA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO.1. A…

Acórdão

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T4 - QUARTA TURMA · Rel. MARIA ISABEL GALLOTTI · j. 25/05/2026

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Acórdão

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Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. HUMBERTO MARTINS · j. 25/05/2026

PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUTONOMIA DO TÍTULO. OPERAÇÃO DE FACTORING. REVALORAÇÃO FÁTICO-PROBATÓRIA E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284 DO STF. EXCESSO DE EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE MEMÓRIA DE CÁLCULO. ART. 917, §§ 3º E 4º, DO CPC/2015. FIANÇA. FALTA DE OUTORGA UXÓRIA. LEGITIMIDADE EXCLUSIVA DO CÔNJUGE PREJUDI…

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