JurisprudênciaIA

A falta de confissão formal no processo impede o envio dos autos ao Ministério Público para propor o ANPP?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Para o STJ, a ausência de confissão formal e circunstanciada nos autos não impede a remessa do processo ao Ministério Público para avaliar a proposta de acordo de não persecução penal. A confissão exigida pelo art. 28-A do CPP pode ser formalizada perante o próprio Ministério Público, no ato de assinatura do acordo.

Silêncio do réu não pode ser usado contra ele

O ponto central da decisão é que o exercício do direito ao silêncio durante a persecução penal não pode impedir a incidência posterior do ANPP. No caso examinado, o cabimento do acordo só surgiu com a sentença que reconheceu a causa de diminuição do tráfico privilegiado; ao optar por não se autoincriminar antes disso, o acusado não tinha o acordo no horizonte. Interpretar o silêncio em seu desfavor violaria a garantia constitucional da não autoincriminação.

A tese vai além: nem mesmo a negativa de autoria em juízo impede o acordo. O STJ compara a situação com a do réu que nega o crime na fase policial e confessa em juízo, contradição que não impede o reconhecimento da atenuante da confissão, admitida mesmo quando parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada.

Quando e onde a confissão deve ser formalizada

O art. 28-A do CPP exige confissão formal e circunstanciada, mas não fixa o momento de sua colheita. A resposta da tese é direta: ela pode ocorrer no ato da assinatura do acordo, perante o Ministério Público, se este decidir propor o ANPP e o beneficiário quiser confessar.

Na prática, a falta de confissão prévia nos autos deixa de ser obstáculo para o encaminhamento do processo ao Ministério Público, titular da prerrogativa de oferecer o acordo. Cabe ao Judiciário homologar ou não os termos pactuados, e o preenchimento dos demais requisitos legais do ANPP continua sendo examinado caso a caso.

O que dizem os tribunais

Informativo 789 do STJ · REsp 2.016.905

A ausência de confissão formal e circunstanciada no curso da ação penal não impede a remessa dos autos ao Parquet para avaliar a possibilidade de propositura do acordo de não persecução penal, uma vez que essa confissão pode ser formalizada perante o Ministério Público, no ato de assinatura do acordo.

Decisões recentes sobre o tema

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