JurisprudênciaIA

Réu pode ser condenado só com confissão retratada em juízo e reconhecimento fotográfico sem o rito do art. 226 do CPP?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Para o STJ, é ilícito o reconhecimento fotográfico judicial feito sem observância do art. 226 do CPP, e a confissão extrajudicial integralmente retratada em juízo é prova inidônea para condenar. Restando apenas esses elementos, além da apreensão tardia de um bem subtraído, a absolvição é a solução devida.

A ilicitude do reconhecimento fotográfico irregular

No caso, não houve reconhecimento algum na fase de inquérito, e o reconhecimento judicial ocorreu quase oito meses após os fatos, pela simples exibição às vítimas de fotos dos réus extraídas do banco de dados da polícia. A inobservância do rito do art. 226 do CPP, por si só, bastou para afastar a validade da prova.

Invalidado o reconhecimento, o restante do conjunto probatório precisa se sustentar de forma autônoma, o que não ocorreu.

Confissão retratada e apreensão tardia não bastam

Se nem a confissão judicial sustenta sozinha uma condenação, com mais razão não o faz a confissão prestada apenas na delegacia e integralmente retratada em juízo, segundo a leitura dos arts. 155 e 197 do CPP. A retratação esvazia o valor probatório do ato policial isolado.

A apreensão de um dos celulares roubados com um dos réus, mais de três meses depois dos fatos e no curso das investigações, também foi considerada insuficiente: não se deu logo após o crime e nenhuma vítima reconheceu validamente aquele acusado.

O que isso significa na prática

Condenações apoiadas somente em reconhecimento fotográfico irregular e confissão policial retratada tendem a ser revertidas. Ainda assim, os tribunais examinam caso a caso se existem outras fontes independentes de prova capazes de sustentar a autoria.

O que dizem os tribunais

Informativo 771 do STJ

É ilícita a prova obtida por meio de reconhecimento fotográfico judicial que não observou o art. 226 do Código de Processo Penal, sendo devida a absolvição quando as provas remanescentes são tão-somente a confissão extrajudicial, integralmente retratada em Juízo, e a apreensão de um dos bens subtraídos, meses após os fatos, efetivada no curso das investigações, o qual estava com um dos acusados que não foi reconhecido por nenhuma das vítimas.

Decisões recentes sobre o tema

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