JurisprudênciaIA

Juiz que reconheceu inimizade com advogado em outros processos pode rejeitar a suspeição em processo novo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Em regra, não. Segundo julgado do STJ divulgado em informativo, se a inimizade entre juiz e advogado já foi reconhecida pelo próprio magistrado e pelo tribunal em outros processos, rejeitá-la em processo novo é incoerência que ofende o dever de estabilidade da jurisprudência. A superação da suspeição pelo art. 256 do CPP exige prova inequívoca de provocação dolosa.

Coerência e imparcialidade como garantias do processo

O STJ apontou que a postura errática de reconhecer a suspeição em alguns processos e rejeitá-la em outros, diante da mesma inimizade incontroversa, viola os mandamentos de estabilidade e coerência do art. 926 do CPC e prejudica tanto a defesa quanto a eficiência do processo penal.

A imparcialidade do juiz é garantia fundamental do processo penal democrático. Reconhecida a suspeição, é o juiz quem se afasta da causa, nos termos do CPP, e não o advogado quem deve evitar preventivamente os processos do magistrado.

O art. 256 do CPP é hipótese excepcionalíssima

A regra que impede a parte de alegar suspeição por ela mesma provocada só se aplica se o magistrado ou o tribunal demonstrar, com elevado ônus argumentativo e de maneira inequívoca, que o excipiente criou dolosamente a causa de suspeição. Não bastam conjecturas, intuições ou desconfianças genéricas.

No caso, o único fato imputado ao defensor foi a habilitação supostamente tardia na causa. O STJ rechaçou o argumento: a lei não fixa marco temporal para o ingresso de advogado, a habilitação em audiência sem procuração escrita é admitida pelo art. 266 do CPP (representação apud acta) e a atuação livre em todo o território nacional é prerrogativa do art. 7º, I, do Estatuto da Advocacia.

O que isso significa na prática

A simples contratação de advogado sabidamente inimigo do juiz não configura, por si, manobra para afastar o magistrado. Tampouco o fato de o advogado não ter suscitado a suspeição em processos anteriores convalida o vício de parcialidade. Cada situação, porém, é examinada pelos tribunais à luz das circunstâncias concretas.

O que dizem os tribunais

Informativo 740 do STJ

A hipótese excepcional do art. 256 do CPP somente pode ser reconhecida se o magistrado ou o Tribunal, atendendo a elevado ônus argumentativo, demonstrar de maneira inequívoca que o excipiente provocou dolosamente a suspeição.

Decisões recentes sobre o tema

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