JurisprudênciaIA

Juiz da execução penal pode cobrar a pena de multa de ofício?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ, em julgado divulgado em informativo, firmou que não cabe ao juízo da execução determinar de ofício o pagamento da pena de multa: a legitimidade para executá-la é prioritariamente do Ministério Público, pelo rito dos arts. 164 e seguintes da LEP, com atuação subsidiária da Fazenda Pública após 90 dias de inércia ministerial.

Quem pode executar a multa penal

A partir da ADI 3.150/DF, o STF reconheceu que a multa é espécie de pena, aplicada em retribuição e prevenção ao crime. Por essa natureza penal, cabe prioritariamente ao Ministério Público promover sua execução perante a vara de execução criminal, observado o procedimento da Lei de Execução Penal.

A Fazenda Pública só assume a cobrança de forma subsidiária: se o Ministério Público, devidamente intimado, não propuser a execução em 90 dias, o juiz dá ciência ao órgão fazendário competente para a cobrança pelo rito da Lei n. 6.830/1980.

Por que o juiz não pode agir de ofício

Nesse desenho, não sobra espaço para o magistrado determinar por iniciativa própria o pagamento da multa. A atuação de ofício invadiria a atribuição do titular da execução e romperia a estrutura acusatória do procedimento, entendimento também adotado pela Quinta Turma do STJ.

Na prática, a cobrança iniciada de ofício pelo juízo da execução é passível de impugnação, cabendo ao apenado e à defesa verificar quem deflagrou a execução e se o rito legal foi observado.

O que dizem os tribunais

Informativo 779 do STJ · ADI 3.150

Execução da pena de multa de ofício pelo magistrado. Impossibilidade. Inteligência dos arts. 164 e seguintes da LEP. Competência prioritária do Ministério Público. Competência subsidiária da Fazenda Pública. Não cabe a determinação do pagamento da pena de multa, de ofício, ao juízo da execução. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 3.150/DF, declarou que, à luz do preceito estabelecido pelo art. 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal, a multa, ao lado da privação de liberdade e de outras restrições - perda de bens, prestação social alternativa e suspensão ou interdição de direitos -, é espécie de pena aplicável em retribuição e em prevenção à prática de crimes. Com base nessa premiss…”Ler na íntegra

Execução da pena de multa de ofício pelo magistrado. Impossibilidade. Inteligência dos arts. 164 e seguintes da LEP. Competência prioritária do Ministério Público. Competência subsidiária da Fazenda Pública. Não cabe a determinação do pagamento da pena de multa, de ofício, ao juízo da execução. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 3.150/DF, declarou que, à luz do preceito estabelecido pelo art. 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal, a multa, ao lado da privação de liberdade e de outras restrições - perda de bens, prestação social alternativa e suspensão ou interdição de direitos -, é espécie de pena aplicável em retribuição e em prevenção à prática de crimes. Com base nessa premissa, a legitimidade para a execução da multa resultante de uma condenação criminal transitada em julgado, devido à sua natureza penal, recai prioritariamente sobre o Ministério Público, ainda que não de forma exclusiva. Por outro lado, a Fazenda Pública tem a legitimidade subsidiária para propor a execução fiscal, somente em caso de omissão do órgão ministerial dentro do prazo estabelecido de 90 dias a partir da intimação para a execução da penalidade. Em síntese, conforme entendimento do STF, (i) o Ministério Público é o órgão legitimado para promover a execução da pena de multa, perante a Vara de Execução Criminal, observado o procedimento descrito pelos arts. 164 e seguintes da Lei de Execução Penal; e (ii) caso o titular da ação penal, devidamente intimado, não proponha a execução da multa no prazo de 90 (noventa) dias, o Juiz da execução criminal dará ciência do feito ao órgão competente da Fazenda Pública (Federal ou Estadual, conforme o caso) para a respectiva cobrança na própria Vara de Execução Fiscal, com a observância do rito da Lei n. 6.830/1980. Dessa forma, a determinação do pagamento da pena de multa não cabe, de ofício, ao juízo da execução. No mesmo sentido é o entendimento da Quinta Turma desta Corte, que já decidiu que "[i]ncumbe ao Ministério Público a execução da pena de multa, o qual, atento às disposições contidas nos arts. 164 e seguintes da Lei de Execução Penal, deverá promovê-la, não cabendo ao juízo da execução a determinação, de ofício, do respectivo pagamento" (AgRg no AREsp 2.092.616/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 10/8/2022). Lei n. 6.830/1980 Constituição Federal (CF), art. 5º, inciso XLVI Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal), art. 164

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