JurisprudênciaIA

É preciso ajuizar ação anulatória para declarar ineficaz acordo homologado judicialmente que configurou fraude à execução?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ decidiu que é prescindível a ação anulatória autônoma quando se pretende apenas declarar a ineficácia, perante o exequente, de acordo homologado judicialmente que configurou fraude à execução, reconhecida a má-fé das partes. Basta decisão no próprio cumprimento de sentença, pois não se desconstitui o negócio nem a homologação.

Anulação e ineficácia são pedidos diferentes

A distinção central está no que se pede. Se a pretensão fosse invalidar o acordo e a decisão homologatória, a ação anulatória seria indispensável, porque não se admite desconstituir uma decisão judicial por determinação incidental proferida em demanda diversa.

Quando se busca apenas o reconhecimento de que o ato não produz efeitos em relação ao credor prejudicado, o cenário muda: a alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente por força do próprio CPC. O negócio permanece existente, válido e eficaz entre as partes e perante terceiros; apenas não é oponível ao exequente beneficiado pelo reconhecimento da fraude.

Como a fraude à execução é reconhecida

Diferentemente da fraude contra credores, que exige ação específica, a fraude à execução pode ser reconhecida por simples petição no processo pendente, salvo nos casos de alienação judicial do bem. Isso porque o ato fraudulento não prejudica só o credor: atenta contra a própria função jurisdicional, ao esvaziar a utilidade de um processo já instaurado.

Na prática, o exequente pode obter, por decisão interlocutória no cumprimento de sentença, a declaração de ineficácia do acordo fraudulento. O reconhecimento da fraude e da má-fé das partes, porém, é examinado caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 699 do STJ

É prescindível a propositura de ação anulatória autônoma para declaração da ineficácia do negócio jurídico em relação ao exequente ante a caracterização da fraude à execução, com o reconhecimento da nítida má-fé das partes que firmaram o acordo posteriormente homologado judicialmente.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. MOURA RIBEIRO · j. 24/08/2026

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. ACORDO HOMOLOGADO NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ART. 966, § 4º, DO CPC. COISA JULGADA DA HOMOLOGAÇÃO E ADEQUAÇÃO DA VIA ANULATÓRIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que, em agravo em recurso especial, conheceu parcialmente do apelo nobre e, nessa extensão, deu-lhe parcial provimento para de…

Acórdão

T3 - TERCEIRA TURMA · Rel. HUMBERTO MARTINS · j. 24/08/2026

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Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. MARIA ISABEL GALLOTTI · j. 12/08/2026

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. ACORDO HOMOLOGADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. EXTINÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO. INEXIGIBILIDADE. CRÉDITO ILÍQUIDO. ATUAÇÃO PARCIAL DOS PATRONOS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. O acordo celebrado entre as partes e homologado após a prolação do acórdão, mas antes do trânsito em julgado da decisão que arbitrou os honorários sucumbenciais, extingue o título executivo judicial e inviabiliza a execução da verba…

Acórdão

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Acórdão

T2 - SEGUNDA TURMA · Rel. TEODORO SILVA SANTOS · j. 20/05/2026

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. EXECUÇÃO FISCAL. DAÇÃO EM PAGAMENTO POSTERIOR À INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO DE FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL. PREFERÊNCIA DO CRÉDITO TRABALHISTA. IRRELEVÂNCIA. NECESSIDADE DE EXAME DA EXCEÇÃO PREVISTA NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 185 DO CTN. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.1. A controvérsia consiste em definir se a transferência patrimonial operada em favor de cre…

Acórdão

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