Por que o decreto não pode suspender a lei
O chefe do Poder Executivo não dispõe de instrumento normativo para paralisar, por ato próprio, os efeitos de lei aprovada pelo Legislativo, ainda que a considere inconstitucional. Ao editar decreto suspendendo os efeitos financeiros da lei, o governador assume função que não lhe pertence, em ofensa direta à separação dos Poderes.
A convicção do Executivo sobre a inconstitucionalidade da norma não substitui o controle de constitucionalidade exercido pelo Poder Judiciário, que é a via adequada para afastar a eficácia de uma lei.
O que isso significa na prática
O governador que entende inconstitucional uma lei estadual deve buscar sua invalidação pelos meios próprios, como o ajuizamento de ação direta, e não neutralizá-la por decreto. Decretos com esse conteúdo ficam sujeitos a declaração de inconstitucionalidade.
Situações específicas de conflito entre atos do Executivo e leis estaduais continuam sendo examinadas pelos tribunais caso a caso, mas a suspensão unilateral de efeitos financeiros por decreto foi expressamente rechaçada.
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