JurisprudênciaIA

A União responde pela degradação de imóvel seu tombado pelo município que deixou de conservá-lo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, mas de forma subsidiária. O STJ, aplicando as razões da Súmula 652 do STJ, entendeu que a União, proprietária de imóvel tombado cedido ao município, responde solidariamente pela degradação decorrente de sua omissão no dever de fiscalizar, embora a execução recaia primeiro sobre o município possuidor que deu causa direta ao dano.

Por que a União não se exime com a cessão de uso

No caso analisado, um imóvel da União, tombado como patrimônio histórico e cultural pelo Município de Criciúma, chegou a avançado grau de degradação enquanto estava sob cessão de uso ao próprio município. O STJ reconheceu que a cessão não transfere ao cessionário toda a responsabilidade: a União permanece proprietária e conserva o dever de fiscalizar e zelar pela integridade física do seu patrimônio.

A celebração de convênios com outros entes tampouco afasta esse dever de cuidado, porque os bens continuam sendo públicos e a omissão no dever de fiscalização gera responsabilidade do proprietário.

A extensão da Súmula 652 ao patrimônio cultural

A Súmula 652 do STJ trata da responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente decorrentes de omissão no dever de fiscalização: ela é solidária, mas de execução subsidiária. O tribunal entendeu que essas mesmas razões se aplicam à tutela do patrimônio cultural, já que o conceito de meio ambiente abrange também o meio ambiente cultural.

Na prática, execução subsidiária significa que há ordem de preferência: cobra-se primeiro de quem deu causa direta ao dano (no caso, o município possuidor omisso) e, só depois, do ente fiscalizador. Esse desenho evita que a maior capacidade financeira do fiscalizador isente ou até estimule a conduta lesiva do causador direto.

O que isso significa na prática

Em ações civis públicas de proteção ao patrimônio cultural, tanto o ente que detém a posse do bem quanto o proprietário omisso na fiscalização podem figurar no polo passivo, ampliando as vias de reparação do direito difuso. Os tribunais examinam caso a caso a configuração da omissão de cada ente e a ordem de execução.

O que dizem os tribunais

Informativo 783 do STJ · REsp 1.071.741

As razões que fundamentam a Súmula 652/STJ ("A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária") são aplicáveis à tutela do patrimônio cultural.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

Segunda Turma · Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze · j. 24/06/2026

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Acórdão

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