JurisprudênciaIA

Juiz pode decretar prisão preventiva quando o Ministério Público pediu apenas medidas cautelares diversas?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim, segundo o STJ. Se o Ministério Público pediu a conversão do flagrante em medidas cautelares diversas, o juiz pode decretar a prisão preventiva sem que isso configure atuação de ofício, pois houve provocação prévia. Provocado a impor alguma restrição, o magistrado escolhe a medida que entende adequada, conforme seu convencimento motivado.

Por que não é prisão de ofício

A decretação de prisão preventiva de ofício é vedada, independentemente do delito ou de sua gravidade, inclusive nos casos de violência doméstica, apesar da redação do art. 20 da Lei Maria da Penha. O ponto central do julgado é outro: quando o Ministério Público pede alguma medida restritiva, o juiz já foi formalmente provocado.

A partir dessa provocação, a escolha de qual cautelar melhor se ajusta ao caso concreto cabe ao juiz da causa. Entender de modo diverso transformaria o julgador em mero chancelador das manifestações ministeriais, vinculando a decisão judicial ao teor exato do pedido.

Paralelos reconhecidos na jurisprudência

O julgado cita orientação do STF no sentido de que o juiz que decreta prisão a pedido do Ministério Público não é obrigado a revogá-la quando o próprio órgão o requer depois. Também lembra que o magistrado não está vinculado ao pedido de absolvição formulado pelo Ministério Público em alegações finais.

Em todas essas situações, a lógica é a mesma: a provocação é indispensável para impor cautelas pessoais, mas, uma vez existente, o juiz decide conforme os ditames legais e sua fundamentação.

O que isso significa na prática

Na audiência de custódia, um pedido de cautelares diversas não blinda o preso contra a preventiva: o juiz pode concluir, motivadamente, que só a prisão garante a ordem pública. A defesa deve concentrar-se em demonstrar a suficiência das medidas alternativas, e os tribunais examinam caso a caso a fundamentação da cautelar máxima.

O que dizem os tribunais

Informativo 725 do STJ · DJe 30

A determinação do magistrado pela cautelar máxima, em sentido diverso do requerido pelo Ministério Público, pela autoridade policial ou pelo ofendido, não pode ser considerada como atuação ex officio .

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

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PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXTORSÃO (ART. 158 DO CP) E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (ART. 288 DO CP). DECISÃO MONOCRÁTICA. LEGALIDADE. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. GRAVIDADE. CONCRETA. MODUS OPERANDI. CONTEMPORANEIDADE. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. INSUFICIÊNCIA. PEDIDO DE EXTENSÃO. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.1. A alegação de imprescindibilidade de apreciação colegiada não prospera. É possível a decisão monocrátic…

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DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.I. CASO EM EXAME1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares diversas, sob alegação de a…

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