JurisprudênciaIA

Estado pode criar regras mais restritivas que a lei federal para o uso de cigarro em ambientes coletivos?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STF

Resposta rápida

Sim, apenas para restringir. Conforme entendimento do STF registrado no Informativo 1796, a Lei 9.294/1996 impede que estados e municípios permitam o fumo em situações diversas das nela previstas, mas os estados conservam competência suplementar para adotar política mais restritiva sobre os ambientes de consumo, atendendo a peculiaridades locais.

O que a lei federal permite aos estados

A Lei 9.294/1996 fixa o padrão nacional sobre uso de produtos fumígenos e retira dos estados e municípios a possibilidade de legislar para autorizar o fumo em circunstâncias diferentes das que ela indica. Ou seja, o ente local não pode flexibilizar a regra federal.

Por outro lado, permanece a competência suplementar dos estados para disciplinar os ambientes em que o consumo é proibido, desde que respeitados os parâmetros da lei federal.

Restringir pode, flexibilizar não

A lógica do entendimento é assimétrica: o estado pode caminhar apenas no sentido de maior proteção, estabelecendo política pública mais restritiva ao fumo em razão de peculiaridades locais. O que não pode é ampliar as hipóteses de uso permitido.

Na prática, leis estaduais antifumo mais rígidas que a norma federal tendem a ser válidas, mas a compatibilidade de cada dispositivo com os parâmetros da Lei 9.294/1996 é examinada caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 991 do STF · ADI 4.351

A Lei 9.294/1996 retira a possibilidade dos Estados e dos Municípios de legislarem de forma a permitir a utilização de produtos fumígenos em circunstâncias diversas das por ela indicadas. Remanesce à competência suplementar dos entes federados estaduais disciplinar os ambientes em que é proibido o consumo de tais produtos, sem que tal regulação implique inobservância dos parâmetros estabelecidos na Lei 9.294/1996, podendo os Estados atuarem para o estabelecimento de política pública mais restritiva, em atenção às peculiaridades locais.

Decisões recentes sobre o tema

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