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Até quando corre a multa de mora quando o contribuinte adere a parcelamento tributário?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

A multa de mora corre até a data em que o contribuinte inicia o pagamento do valor devido, ou seja, o pagamento da primeira parcela do parcelamento. Segundo entendimento do STJ divulgado em informativo, não é a data do deferimento do pedido pela Fazenda que define o termo final, e sim o momento em que cessa a inadimplência.

Por que o termo final é o pagamento da primeira parcela

A Lei n. 9.430/1996 prevê que a multa moratória é calculada do dia seguinte ao vencimento do tributo até o dia do pagamento efetivo. A dúvida estava em como aplicar essa regra ao parcelamento: se a multa correria até o deferimento do pedido pela Fazenda ou até o início do pagamento pelo contribuinte.

O STJ afastou a leitura que atrelava o termo final ao deferimento do parcelamento, porque ela permitiria que a Fazenda Pública definisse unilateralmente essa data, ignorando a boa-fé do contribuinte e a suspensão do crédito tributário que o parcelamento produz, na forma do art. 151, VI, do CTN.

O papel do art. 112 do CTN

Como a multa de mora tem caráter sancionatório, aplica-se o art. 112, IV, do CTN, que manda interpretar a lei tributária da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida sobre a penalidade. Daí a conclusão de que a multa deve correr apenas até a data em que o contribuinte inicia o pagamento, momento em que deixa de ser inadimplente perante o Fisco.

Esse entendimento não prejudica a Fazenda Pública: se o contribuinte descumprir o parcelamento, nada impede que volte a ser cobrado pelo tributo devido com os acréscimos legais.

O que isso significa na prática

Quem adere a parcelamento pode questionar a exigência de multa moratória calculada além da data do pagamento da primeira parcela. A aplicação concreta, porém, depende das circunstâncias de cada parcelamento, e os tribunais examinam caso a caso, como mostram as decisões listadas abaixo.

O que dizem os tribunais

Informativo 877 do STJ

Em caso de parcelamento tributário, o termo final para a cobrança da multa de mora deve ser a data na qual o contribuinte inicia o pagamento do valor devido.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

T4 - QUARTA TURMA · Rel. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA · j. 30/06/2026

CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEL. LUCROS CESSANTES. TERMO FINAL NO TRÂNSITO EM JULGADO. CUMULAÇÃO DE MULTA CONTRATUAL COM LUCROS CESSANTES. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E PROVIDO EM PARTE.I. CASO EM EXAME1. Recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná em apelação cível.2. A controvérsia diz respeito a ações de rescisão de contrato c/c indenização e de indenização c/c inexigibilidade…

Acórdão

T1 - PRIMEIRA TURMA · Rel. GURGEL DE FARIA · j. 22/06/2026

TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO FISCAL. PARCELA. VALOR IRRISÓRIO. INADIMPLÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.1. O Superior Tribunal de Justiça entende ser possível a exclusão de programa de parcelamento fiscal por inadimplência, se ficar demonstrada a ineficácia do parcelamento como forma de quitação do débito, considerando-se o montante devido e o valor das prestações efetivamente pagas.2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.249.638/MG, relator Ministro GURGEL DE FARIA, Primeira Turm…

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues · j. 10/02/2026

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. MULTA MORATÓRIA. PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO. TERMO FINAL. PAGAMENTO DA PRIMEIRA PARCELA. PROVIMENTO NEGADO 1. O parcelamento é causa de suspensão do crédito tributário na forma do art. 151, VI, do Código Tributário Nacional. A intenção do contribuinte ao realizar o parcelamento é, justamente, não precisar mais pagar os juros e a multa moratória de seu débito. 2. O art. 61, § 1º, da Lei 9.430/1996 é norma de caráter…

Acórdão

Primeira Turma · Rel. Ministra Regina Helena Costa · j. 09/02/2026

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO. INADIMPLEMENTO. REINÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Conforme jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, a adesão a programa de parcelamento tributário é causa de suspensão da exigibilidade do crédito e interrompe o prazo prescricional, por constituir reconhec…

Acórdão

Terceira Turma · Rel. Ministro Moura Ribeiro · j. 09/12/2025

PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C COBRANÇA. ALEGAÇÃO DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. PARCELAMENTO DE DÉBITOS VENCIDOS. MORATÓRIA OU NOVAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA 214/STJ. INAPLICABILIDADE. REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO INSUFICIENTE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO…

Acórdão

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PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO. INADIMPLEMENTO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL. DIFERENCIAÇÃO ENTRE PARCELAMENTOS REGIDOS PELA LEI N. 9.964/2000 (REFIS) E OUTROS PROGRAMAS DE PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. INÍCIO DA CONTAGEM A PARTIR DO INADIMPLEMENTO DA ÚLTIMA PARCELA. REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA REAPRECIAÇÃO. 1. A controvérsia reside na definição do termo inicial do p…

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