Por que são necessárias duas notificações
O CTB prevê, no art. 257, §§ 7º e 8º, a aplicação de nova multa à pessoa jurídica que não identifica o condutor infrator no prazo. O STJ entendeu que essa infração é autônoma em relação à infração de trânsito original, gerando uma relação processual própria, com teses de defesa distintas.
Por isso, cada etapa exige notificação e prazo de defesa: primeiro a notificação da autuação, depois a notificação da aplicação da penalidade. Tratando-se de processo administrativo sancionador, a interpretação das garantias não deve ser restritiva, e o contraditório integra o próprio conceito de interesse público.
Consequência prática para as empresas
A multa por não indicação de condutor (conhecida como multa NIC) imposta sem a dupla notificação viola o procedimento previsto nos arts. 280, 281 e 282 do CTB. Em regra, esse vício pode ser alegado na defesa administrativa ou em ação judicial para questionar a penalidade.
O entendimento não afasta a multa em si, que continua devida quando a empresa deixa de identificar o condutor no prazo legal. O que se exige é o respeito ao rito, e os tribunais examinam em cada caso se as notificações foram regularmente expedidas.
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