O que exige a teoria da perda de uma chance
Na perda de uma chance, indeniza-se a probabilidade séria e real de obter um benefício que foi frustrada pelo evento danoso, e não o resultado final. O prejuízo precisa ser certo quanto à chance, não meramente hipotético.
No caso julgado, isso exigia demonstrar a viabilidade e a probabilidade de sucesso das futuras ações (declaratória de nulidade das doações inoficiosas e de sonegados) e, sobretudo, o nexo causal entre o extravio dos dois livros e as chances de êxito nessas demandas.
Por que a indenização foi negada
As instâncias ordinárias concluíram que, mesmo se a companhia tivesse exibido os livros como determinado judicialmente, a situação hereditária das autoras dificilmente mudaria. Ou seja, faltou o elo entre a conduta da empresa e a chance alegadamente perdida.
Na prática, quem invoca a perda de uma chance por dificuldade de acesso a provas precisa demonstrar que aquele documento era realmente capaz de alterar o desfecho provável da disputa. Os tribunais examinam essa probabilidade caso a caso, e a mera recusa ou extravio de documentos não gera indenização automática.
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