JurisprudênciaIA

O princípio da insignificância se aplica ao contrabando de cigarros de pequeno valor?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Em regra, não, mas o tema está em definição. O STJ afetou a controvérsia ao rito dos recursos repetitivos (REsps 1.971.993/SP e 1.977.652/SP) para uniformizar o entendimento de que a insignificância não se aplica ao contrabando de cigarros, por menor que seja a lesão patrimonial, pois a conduta atinge saúde, segurança e moralidade públicas.

O que significa a afetação ao rito repetitivo

A Terceira Seção do STJ decidiu submeter a questão ao regime dos recursos repetitivos, mecanismo usado para fixar uma tese vinculante que uniformize a jurisprudência. A controvérsia delimitada já indica a orientação em discussão: a de que o princípio da insignificância não se aplica ao contrabando de cigarros, independentemente do valor envolvido.

Enquanto a tese não é definitivamente julgada, a afetação sinaliza a direção do debate, mas a solução dos casos concretos depende do desfecho do julgamento e das circunstâncias de cada processo.

Por que o valor não seria o critério decisivo

O fundamento central delineado na controvérsia é que o contrabando de cigarros não lesa apenas o patrimônio público ou a arrecadação. A conduta atinge outros bens jurídicos, como a saúde pública, a segurança e a moralidade administrativa, já que o cigarro é mercadoria de importação restrita e sujeita a controles sanitários.

Por isso, mesmo quando a quantidade apreendida é pequena, a tendência apontada é a de afastar a atipicidade material da conduta. Os tribunais examinam caso a caso, e quem responde por contrabando de cigarros deve acompanhar o julgamento do tema repetitivo.

O que dizem os tribunais

Informativo 734 do STJ · REsps 1.971.993

A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação dos REsps 1.971.993/SP e 1.977.652/SP ao rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia: o princípio da insignificância não se aplica aos crimes de contrabando de cigarros, por menor que possa ter sido o resultado da lesão patrimonial, pois a conduta atinge outros bens jurídicos, como a saúde, a segurança e a moralidade pública.

Decisões recentes sobre o tema

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Acórdão

j. 03/06/2026

Direito processual penal. Agravo regimental. Habeas corpus substitutivo. Contrabando de cigarros eletrônicos. Princípio da insignificância. Reiteração delitiva. Regime semiaberto ao reincidente. Agravo improvido.I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus por ser substitutivo de recurso legalmente previsto, com pedido de aplicação do princípio da insignificância ao contrabando de cigarros eletrônicos e de fixaçã…

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j. 03/06/2026

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Acórdão

j. 19/05/2026

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