JurisprudênciaIA

O crime de trabalho escravo exige que o trabalhador esteja com a liberdade de locomoção restringida?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. Segundo o STJ, em decisão noticiada em informativo de jurisprudência, o crime de redução à condição análoga à de escravo (art. 149 do Código Penal) não exige restrição da liberdade de locomoção. Basta a submissão do trabalhador a condições degradantes, a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva para que o delito se configure.

Um tipo penal com condutas alternativas

O art. 149 do Código Penal é um tipo misto alternativo: o crime se configura por qualquer uma das condutas previstas, como submissão a trabalhos forçados, jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho ou restrição da liberdade de locomoção. Cada hipótese basta por si só, sem necessidade de ofensa à liberdade de ir e vir.

O STJ alinhou-se ao entendimento do STF no Inquérito 3.412, segundo o qual a escravidão moderna é mais sutil e o cerceamento pode decorrer de constrangimentos econômicos, e não apenas físicos. Exigir prova de cárcere ou vigilância armada contraria a jurisprudência consolidada e os tratados internacionais firmados pelo Brasil sobre abolição da escravatura e direitos humanos.

O que são condições degradantes na prática

No caso concreto, a fiscalização do trabalho documentou alojamento no meio do mato em ônibus velho e barraco de plástico, água sem tratamento armazenada em caminhão-pipa enferrujado, ausência total de instalações sanitárias e refeições preparadas no chão. O tribunal considerou que esse quadro configura condições degradantes na acepção já consolidada.

A avaliação, contudo, é sempre casuística: os julgadores examinam o conjunto probatório de cada fiscalização para decidir se as condições encontradas atingem o patamar de degradação exigido pelo tipo penal, levando em conta a vulnerabilidade social dos trabalhadores aliciados.

O que dizem os tribunais

Informativo 862 do STJ · Inq 3.412

A configuração do delito de redução à condição análoga à de escravo, previsto no art. 149 do Código Penal, não exige a restrição da liberdade de locomoção dos trabalhadores, sendo suficiente a submissão a condições degradantes de trabalho.

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