JurisprudênciaIA

O voto do credor majoritário que rejeita o plano de recuperação judicial é sempre considerado abusivo?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Não. O STJ, em julgado divulgado em informativo de jurisprudência, decidiu que a rejeição do plano de recuperação judicial por credor detentor de percentual significativo do passivo não configura, por si só, abuso de direito. O voto contrário é legítimo quando justificado, por exemplo, por sacrifício demasiado ao crédito, ilegalidades no plano ou indícios de fraude e desvio patrimonial das devedoras.

Quando o Judiciário pode superar a rejeição dos credores

A aprovação do plano de recuperação depende, em regra, do quórum do art. 45 da Lei 11.101/2005, reflexo da natureza negocial do instituto. A própria lei admite, excepcionalmente, o chamado cram down: a aprovação judicial do plano mesmo sem o quórum, desde que preenchidos os três requisitos cumulativos do art. 58, § 1º.

O STJ já reconheceu, em situações excepcionalíssimas, a possibilidade de aprovar o plano até sem observância estrita desses requisitos, quando comprovado exercício abusivo do voto por credor que domina a deliberação. Mas essa comprovação precisa ocorrer no caso concreto: não existe presunção de abuso pelo simples fato de o credor ser majoritário.

O que legitima o voto de rejeição

No caso julgado, o voto contrário de credor titular de 25% do passivo foi considerado legítimo por três razões: o plano impunha sacrifício demasiado ao seu crédito, as instâncias de origem reconheceram ilegalidades em cláusulas do plano e havia indícios de blindagem e desvio patrimonial, com suspeita de ocultação de bens e fraudes contábeis apuradas em investigação criminal.

O STJ também frisou que o princípio da preservação da empresa não é absoluto: ele visa manter atividades economicamente viáveis, não autorizar o desrespeito à lei ou manobras que comprometam a segurança jurídica. Na prática, a caracterização do voto abusivo depende de prova concreta, examinada caso a caso pelos tribunais.

O que dizem os tribunais

Informativo 849 do STJ

A rejeição do plano de recuperação judicial por credor detentor de percentual significativo das obrigações passivas da devedora não constitui, por si só, abuso de direito, principalmente quando justificada pela imposição de sacrifício demasiado ao respectivo crédito; reconhecimento de ilegalidades nas cláusulas do plano; e apontamento de indícios de blindagem e desvio patrimonial, com suspeita de ocultação de bens das devedoras, fraudes contábeis e supostos ilícitos apurados em investigação criminal.

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