Informativo 769 do STJ
“A postura de abandonar o plenário do Júri, como tática de defesa, configura flagrante desrespeito ao múnus público conferido ao advogado, o que justifica a aplicação da multa prevista no art. 265 do CPP.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Para o STJ, em informativo de jurisprudência, o abandono do plenário do júri como tática de defesa configura desrespeito ao múnus público do advogado e justifica a multa do art. 265 do CPP, pois o defensor só pode deixar o processo por motivo imperioso, e inconformismo com decisão em plenário não se enquadra nessa hipótese.
O art. 265 do CPP proíbe o defensor de abandonar o processo, salvo por motivo imperioso, sob pena de multa. O STJ já considerava abandono de causa a ausência do advogado a audiência sem justificativa plausível, prévia ou posterior, e estendeu essa lógica à retirada do plenário do júri em meio à sessão.
No caso analisado, a defesa deixou o plenário inconformada com a leitura de uma peça pela acusação. Para a Corte, o caminho correto seria impugnar a decisão pela via processual adequada, e não interromper a sessão, cuja preparação é dispendiosa para o Estado.
Na hipótese julgada, a multa foi mantida no valor de cinquenta salários mínimos, aplicada solidariamente aos defensores, tendo como parâmetro o custo de uma sessão do Tribunal do Júri. O precedente sinaliza que estratégias de obstrução da sessão plenária não são toleradas.
Isso não impede o advogado de protestar contra irregularidades: a insurgência deve constar em ata e ser levada ao tribunal pelo recurso cabível. A existência de motivo imperioso que justifique a retirada é examinada pelos tribunais caso a caso.
“A postura de abandonar o plenário do Júri, como tática de defesa, configura flagrante desrespeito ao múnus público conferido ao advogado, o que justifica a aplicação da multa prevista no art. 265 do CPP.”
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