JurisprudênciaIA

Prisão em flagrante ilegal anula o interrogatório policial e os dados extraídos do celular do preso?

Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ

Resposta rápida

Sim. Para o STJ, em informativo de jurisprudência, a ilicitude da prisão em flagrante, reconhecida por ausência das hipóteses do art. 302 do CPP, contamina os atos investigativos que dela derivam, incluindo interrogatórios policiais e dados extraídos de celulares, pela teoria dos frutos da árvore envenenada. Nem o consentimento do investigado nem autorização judicial posterior salvam essas provas.

A contaminação em cadeia

A teoria dos frutos da árvore envenenada, positivada no art. 157 do CPP, determina que a prova derivada de conduta ilícita é nula. Quando o flagrante é reconhecido como ilegal (no caso, a abordagem ocorreu no dia seguinte ao fato, sem perseguição nem enquadramento no art. 302 do CPP), estabelece-se nexo causal entre o ato ilícito e os elementos probatórios subsequentes.

Isso alcança os interrogatórios policiais e a apreensão e extração de dados dos celulares, contaminando todo o acervo derivado da prisão ilegal.

Consentimento e autorização judicial não convalidam

O STJ afastou dois argumentos usados para salvar as provas: o suposto consentimento dos investigados para acesso aos aparelhos e a autorização judicial concedida depois. Nenhum dos dois rompe o vínculo causal com o ato originariamente ilegal quando não existe fonte independente nem descoberta inevitável.

Vale lembrar que o STJ já veda o acesso policial a dados de celular apreendido sem autorização judicial; no caso, o problema era ainda anterior, pois a própria apreensão nasceu de prisão ilícita.

O que isso significa na prática

Reconhecida a ilegalidade do flagrante, a defesa pode postular a nulidade das provas derivadas, cabendo à acusação demonstrar eventual fonte independente. Os tribunais examinam o nexo causal caso a caso, e as decisões recentes mostram como esse filtro vem sendo aplicado.

O que dizem os tribunais

Informativo 891 do STJ

1. A ilicitude da prisão em flagrante, reconhecida por ausência das hipóteses do art. 302 do CPP, contamina os atos investigativos subsequentes que dela derivam, nos termos da teoria dos frutos da árvore envenenada. 2. O consentimento do investigado ou a posterior autorização judicial não afasta a nulidade das provas quando evidenciado o nexo causal com ato originariamente ilícito e inexistente fonte independente.

Decisões recentes sobre o tema

Selecionadas automaticamente na nossa base e atualizadas com frequência.

Acórdão

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PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. SENTENÇA DESCLASSIFICATÓRIA. BUSCA PESSOAL NÃO IMPUGNADA NO RECURSO ESPECIAL. BUSCA DOMICILIAR DECLARADA ILEGAL. CONSENTIMENTO INVÁLIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS ESTATAL. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. NULIDADE DAS PROVAS DOMICILIARES E DERIVADAS. MANUTENÇÃO DA APREENSÃO NA BUSCA PESSOAL (6 PORÇÕES DE MACONHA). RESTABELECIMENTO DA SENTENÇA DESCLASSIFICATÓRIA. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA…

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