Informativo 848 do STJ · AREsp 2.194.622
“O monitoramento realizado por câmera instalada em via pública não configura ação controlada e prescinde de autorização judicial, sendo diligência legítima para angariar indícios de prática criminosa.”
Atualizado em 07/07/2026 · Fundamentado em jurisprudência de STJ
Sim. Em julgado divulgado em informativo do STJ, a Sexta Turma entendeu que o monitoramento por câmera instalada em via pública não configura ação controlada e dispensa autorização judicial, sendo diligência legítima para reunir indícios do crime. A câmera registra espaço de acesso coletivo, sem violar a intimidade do investigado.
A ação controlada prevista no art. 53, II, da Lei n. 11.343/2006 pressupõe retardar a intervenção policial sobre um crime em curso, mediante autorização judicial. O STJ diferenciou essa hipótese da simples observação e monitoramento da movimentação do suspeito para constatar, com segurança, a prática do delito, o que caracteriza colheita inicial de indícios e não exige autorização prévia.
No caso analisado, a câmera foi instalada em poste de energia e captou apenas imagens da via pública, espaço de acesso coletivo, o que afasta a alegação de violação à intimidade.
O raciocínio central do julgado é a equivalência com a vigilância presencial: se um policial pode observar a movimentação suspeita em via pública e relatá-la em juízo como prova testemunhal válida, não há razão lógica para vedar o uso da tecnologia para o mesmo fim. O registro em vídeo, aliás, foi visto como reforço da qualidade da prova, por ser fiel aos fatos e preservar contraditório e ampla defesa.
O limite do entendimento é o espaço monitorado: a legitimidade decorre de a captação ocorrer em local público, sem invadir a esfera privada constitucionalmente protegida.
Filmagens de via pública tendem a ser aceitas como prova lícita da dinâmica do tráfico, ainda que feitas sem ordem judicial. Situações que envolvam captação de interior de residência ou outros espaços privados seguem lógica diversa e dependem do caso concreto. As decisões recentes listadas abaixo mostram a aplicação do entendimento.
“O monitoramento realizado por câmera instalada em via pública não configura ação controlada e prescinde de autorização judicial, sendo diligência legítima para angariar indícios de prática criminosa.”
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